Yeda Crusius recorrerá a empréstimo para pagar 13º dos servidores
SIMONE IGLESIAS
da Agência Folha, em Porto Alegre
A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), anunciou ontem que recorrerá a empréstimo ao Banrisul para pagar em dia o 13º salário dos servidores.
A tucana disse que resistia à idéia porque o empréstimo resulta no pagamento de juros pelo governo do Estado, o que, segundo ela, levará ao agravamento da crise financeira. Mas, de acordo com Yeda, essa era a única forma de evitar o atraso do benefício.
Para conseguir o 13º, cada servidor do Executivo terá que ir ao Banrisul e assinar um contrato de adesão. A ele não recairá o pagamento de juros pelo financiamento, mas ao Executivo.
O governo estuda a possibilidade de pagar funcionários com salários de até R$ 750 sem a necessidade de empréstimo, mas não sabe se será possível. O valor total do 13º dos servidores do Executivo gaúcho é de aproximadamente R$ 450 milhões.
Se o governo precisar recorrer a empréstimo de R$ 450 milhões, os juros cobrados pelo Banrisul serão de cerca de R$ 50 milhões. Este valor será diluído em três ou quatro parcelas a serem pagas pelo Executivo em 2008.
"O governo não queria recorrer ao empréstimo e continuo dizendo que seria melhor evitarmos. A medida está longe de ser ideal, porque vamos pagar juros no ano que vem e isso levará ao aumento do déficit", disse o secretário da Fazenda, Aod Cunha de Moraes Júnior.
Segundo ele, a governadora decidiu pela medida para evitar que os funcionários não recebessem o benefício.
O governo decidirá até sexta-feira se alguma faixa salarial deixará de ser atingida pelo empréstimo e quanto do total da folha será necessário buscar no Banrisul.
"Ainda dependemos da liberação de R$ 200 milhões pela União e não sabemos quando ocorrerá. Na semana passada, o governo [federal] disse que liberaria nas próximas semanas, mas não fixou uma data", disse Aod.
O empréstimo ao Banrisul começou a ser adotado no governo de Germano Rigotto (PMDB), de 2003 a 2006. Sem dinheiro para pagar os servidores, ele recorreu ao banco estatal nos quatro anos de gestão.
Durante a campanha eleitoral do ano passado, Yeda criticou a solução encontrada por Rigotto para não atrasar o pagamento do 13º. Segundo Aod, sem a aprovação do plano de recuperação fiscal, o Executivo se viu obrigado a repetir a medida, apesar das críticas feitas à época ao governo Rigotto pelos tucanos.
Parcelamento
O governo também anunciou ontem que, pelo nono mês consecutivo, pagará em dia somente os funcionários que recebem até R$ 1.950,00. Os demais terão os salários complementados dia 10 de dezembro. No último mês do ano, o governo também fará parcelamento.
Acompanhe as notícias em seu celular: digite wap.folha.com.br
Leia mais
- RS aplicará menos de 0,3% da receita em investimentos
- Tesouro dá aval para renegociação da dívida do RS com o Bird
- Assembléia gaúcha rejeita pacote de projetos fiscais de Yeda Crusius
- Sindicatos protestam contra pacote de Yeda Crusius
- Procuradores do Rio Grande do Sul entram em greve
- Yeda Crusius diz que respeita posição de senadores tucanos contra CPMF
Especial

