23/07/2002
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08h38
MURILO FIUZA DE MELO
da Folha de S.Paulo, no Rio
O candidato à Presidência Anthony Garotinho (PSB) está perdendo parte da sua equipe de campanha a menos de um mês do início do horário eleitoral. O jornalista Paulo Fona, assessor de imprensa, se demitiu na última quarta-feira e até o final desta semana os publicitários Elysio Pires, Marcelo Brandão e Nei Azambuja, responsáveis pelo programas e inserções em TV e rádios, também sairão.
A Folha apurou que os publicitários serão substituídos pela agência Blue Light, que vinha atuando como produtora dos programas de TV do candidato. Uma das razões da troca é financeira. Pires não quis comentar a saída. Fona confirmou que deixou a campanha: "Já dei a minha contribuição". Segundo o coordenador de comunicação de Garotinho, Carlos Rayel, trata-se de uma "readaptação da campanha no que diz respeito aos gastos".
Fona foi contratado em setembro de 2001 para cuidar da assessoria de imprensa da pré-campanha presidencial, enquanto Carlos Henrique Vasconcelos continuava responsável pela comunicação do governo do Estado.
Ao longo deste período, Fona e Vasconcelos se desentenderam. Rayel, ex-secretário de Comunicação de Orestes Quércia no governo paulista (87-91), entrou na campanha em 14 de junho, chamado por Garotinho para coordenar toda a parte de comunicação com a imprensa. Desgastado, Fona foi aos poucos perdendo funções, até pedir demissão.
Os três publicitários estão com Garotinho desde novembro do ano passado. Eles foram responsáveis pelo programa partidário gratuito de dezembro e de maio e pelas inserções comerciais desde dezembro e ao longo de todo o primeiro semestre, inclusive as inserções regionais em 17 Estados. Foram eles ainda que fizeram os cinco miniprogramas de partidos aliados de Garotinho.
Embora seja real a dificuldade de Garotinho de coletar recursos, o que vem acarretando cortes de despesas, como antecipou a Folha no último dia 17, a saída dos profissionais também está relacionada com os desgastes da campanha, principalmente os causados pela queda nas pesquisas.
Garotinho está em quarto lugar com 13% das intenções de voto, segundo o Datafolha. Ele chegou a alcançar 18% e a permanecer algumas semanas em segundo lugar em fevereiro, depois dos programas eleitorais de dezembro e das inserções de janeiro. Manteve este índice até março. Entre abril e junho, oscilou entre 16% e 15%. Caiu no início de julho para 13%.
Ao longo deste período, Garotinho cometeu muitos erros, quase todos provocados por iniciativas dele próprio, que age frequentemente sem ouvir os assessores.
Um dos erros mais graves de Garotinho foi o confronto com a Rede Globo, há duas semanas, por conta da negociação entre a emissora e o candidato para a divulgação de fitas proibidas que o mostram conversando com ex-assessores sobre um suposto pagamento de suborno a um fiscal da Receita Federal, em 1995.
Houve problemas menores, como as várias recusas aos convites para vice-presidente da chapa e a desorganização do PSB em Pernambuco, onde Garotinho fez um comício para apenas cem pessoas.
No dia 16, o presidente da Fiesp, Horacio Lafer Piva, recusou um convite para ser ministro em um eventual governo do PSB. A recusa ocasionou novo desgaste. A falta de recursos, os erros de campanha e a queda nas pesquisas vêm alimentando as especulações de que Garotinho pode renunciar. Ele garante que não renuncia.
Veja também o especial Eleições 2002
Garotinho perde quatro assessores de campanha
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MARCELO BERABAMURILO FIUZA DE MELO
da Folha de S.Paulo, no Rio
O candidato à Presidência Anthony Garotinho (PSB) está perdendo parte da sua equipe de campanha a menos de um mês do início do horário eleitoral. O jornalista Paulo Fona, assessor de imprensa, se demitiu na última quarta-feira e até o final desta semana os publicitários Elysio Pires, Marcelo Brandão e Nei Azambuja, responsáveis pelo programas e inserções em TV e rádios, também sairão.
A Folha apurou que os publicitários serão substituídos pela agência Blue Light, que vinha atuando como produtora dos programas de TV do candidato. Uma das razões da troca é financeira. Pires não quis comentar a saída. Fona confirmou que deixou a campanha: "Já dei a minha contribuição". Segundo o coordenador de comunicação de Garotinho, Carlos Rayel, trata-se de uma "readaptação da campanha no que diz respeito aos gastos".
Fona foi contratado em setembro de 2001 para cuidar da assessoria de imprensa da pré-campanha presidencial, enquanto Carlos Henrique Vasconcelos continuava responsável pela comunicação do governo do Estado.
Ao longo deste período, Fona e Vasconcelos se desentenderam. Rayel, ex-secretário de Comunicação de Orestes Quércia no governo paulista (87-91), entrou na campanha em 14 de junho, chamado por Garotinho para coordenar toda a parte de comunicação com a imprensa. Desgastado, Fona foi aos poucos perdendo funções, até pedir demissão.
Os três publicitários estão com Garotinho desde novembro do ano passado. Eles foram responsáveis pelo programa partidário gratuito de dezembro e de maio e pelas inserções comerciais desde dezembro e ao longo de todo o primeiro semestre, inclusive as inserções regionais em 17 Estados. Foram eles ainda que fizeram os cinco miniprogramas de partidos aliados de Garotinho.
Embora seja real a dificuldade de Garotinho de coletar recursos, o que vem acarretando cortes de despesas, como antecipou a Folha no último dia 17, a saída dos profissionais também está relacionada com os desgastes da campanha, principalmente os causados pela queda nas pesquisas.
Garotinho está em quarto lugar com 13% das intenções de voto, segundo o Datafolha. Ele chegou a alcançar 18% e a permanecer algumas semanas em segundo lugar em fevereiro, depois dos programas eleitorais de dezembro e das inserções de janeiro. Manteve este índice até março. Entre abril e junho, oscilou entre 16% e 15%. Caiu no início de julho para 13%.
Ao longo deste período, Garotinho cometeu muitos erros, quase todos provocados por iniciativas dele próprio, que age frequentemente sem ouvir os assessores.
Um dos erros mais graves de Garotinho foi o confronto com a Rede Globo, há duas semanas, por conta da negociação entre a emissora e o candidato para a divulgação de fitas proibidas que o mostram conversando com ex-assessores sobre um suposto pagamento de suborno a um fiscal da Receita Federal, em 1995.
Houve problemas menores, como as várias recusas aos convites para vice-presidente da chapa e a desorganização do PSB em Pernambuco, onde Garotinho fez um comício para apenas cem pessoas.
No dia 16, o presidente da Fiesp, Horacio Lafer Piva, recusou um convite para ser ministro em um eventual governo do PSB. A recusa ocasionou novo desgaste. A falta de recursos, os erros de campanha e a queda nas pesquisas vêm alimentando as especulações de que Garotinho pode renunciar. Ele garante que não renuncia.
Veja também o especial Eleições 2002


