Tucanos se dividem sobre estratégia para atrasar votação da CPMF
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
A bancada do PSDB no Senado se reuniu hoje e deu sinais de que continua dividida sobre a estratégia a ser utilizada para derrotar a base governista, que pretende votar no plenário do Senado a PEC (proposta de emenda constitucional) que prorroga a cobrança da CPMF até 2011. A vigência da CPMF termina em 31 de dezembro e a base aliada corre contra o relógio para tentar manter a cobrança do chamado imposto do cheque.
O DEM defende que a oposição se junte e tente acelerar a votação da PEC aproveitando que o governo acabou de sofrer uma derrota na articulação política com a troca de Walfrido dos Mares Guia --denunciado por suposto envolvimento com o valerioduto mineiro-- por José Múcio no Ministério das Relações Institucionais.
Para o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), não adianta acelerar a votação porque o regimento da Casa não permite que a proposta seja colocada imediatamente em pauta. "Não adianta colocar a carroça na frente dos bois. Desobstruindo a pauta hoje, não se vota a CPMF antes do dia 17. Acho que a gente não deve apressar nada antes de ter a certeza absoluta da vitória", disse.
Virgílio afirma que o governo terá prazo suficiente para cooptar votos da base aliada já que o regimento da Casa não permite a votação imediata da matéria. Já o DEM defende que a oposição acelere a votação, pois o governo não tem os 49 votos necessários para aprovar a PEC e seria derrotado no plenário.
Além de estar dividido com o DEM, o PSDB também dá sinais de diferenças internas. O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) diz achar possível acelerar a votação desde que oposição acerte com dissidentes da base aliada que não vão mudar de idéia para aprovar a CPMF.
Tramitação
Depois que a proposta voltar à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), onde terá 30 dias para ser analisada, ainda precisa do prazo de cinco sessões plenárias para entrar na pauta de votações do Senado.
A bancada do PSDB se reúne agora com integrantes do DEM para tentar acertar uma estratégia conjunta de votação da CPMF.
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