Presidência nega tentativa de compra de voto a favor da CPMF
da Folha Online
A SRI (Secretaria de Relações Institucionais) da Presidência da República divulgou nota hoje negando a denúncia feita pelo senador Geraldo Mesquita Filho (PMDB-AC), que acusou o subchefe de Assuntos Parlamentares da Presidência, Marcos de Castro Lima, de tentar convencê-lo a votar a favor da CPMF em troca da liberação de emendas parlamentares.
"Em nenhum momento a liberação de emendas foi utilizada como moeda de troca e a soberania entre os poderes Legislativo e Executiva sempre foi respeitada", diz a nota.
A Presidência atribuiu o problema a um falha na comunicação entre as partes. "Lamentamos que tenha acontecido uma falha de comunicação no contato entre a SRI e o gabinete do senador Geraldo Mesquita; como o próprio senador admitiu não houve nenhuma conversa entre o Senador e o dirigente da SRI."
Segundo o senador, a tentativa de cooptação teria ocorrido no dia 16 de novembro após um pedido de audiência com o Lima. Com a negativa de Mesquita, o subchefe teria se dirigido ao seu gabinete espontaneamente, sem ser convidado. "Eu alertei para não vir, pedi que não me procurasse", afirmou.
Mesquista foi hoje à tribuna do Senado para reclamar do que ele chamou de "assédio imoral" por parte do Planalto. "Não permito ser desmoralizado com uma prática dessas. Considero suspeito tratar de questões como essa em um momento crucial."
Ele disse considerar estranha a ação do assessor às vésperas da votação da CPMF. "O governo passa a legislatura inteira concedendo tratamento desrespeitoso à sua base, mas aparece nesse momento. Ele adentrou meu gabinete sem ser convidado, o que configura falta de respeito", afirmou.
Outro lado
Na nota, a SRI informa que não há nada de excepcional na ampliação da liberação de emendas no final do ano. "É importante ressaltar que estamos a pouco mais de um mês do final do ano e historicamente os recursos são liberados no fim de cada período; não há nada de excepcional nesta ação."
"Faz parte da rotina de trabalho da SRI acompanhar a liberação das emendas como parte do relacionamento com os parlamentares", diz a nota.
De acordo com o comunicado, "as emendas individuais dos senadores estão sendo liberadas, atingindo um total de 90%". "A SRI somente autoriza os limites, o empenho das emendas propriamente dito depende dos próprios ministérios, da apresentação de projetos e atendendo a critérios técnicos."
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