Oposição calcula em sete os votos de "dissidentes" da base aliada contra CPMF
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
A oposição se reuniu nesta quarta-feira com cinco senadores "dissidentes" da base aliada do governo que prometem votar contra a prorrogação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) no plenário do Senado. No total, 32 senadores participaram do encontro articulado pela oposição --número que o DEM e PSDB consideram suficiente para impedir a aprovação da CPMF.
Os dois partidos de oposição calculam que, além dos 27 senadores tucanos e democratas, outros sete parlamentares governistas votarão contra a prorrogação da CPMF --apesar de apenas cinco "dissidentes" terem participado da reunião com a oposição: Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), Mão Santa (PMDB-PI), Romeu Tuma (PTB-SP) e Expedito Júnior (PR-RO).
O senador José Nery (PSOL-PA), que não compareceu ao encontro com a oposição, é um dos votos esperados pelos tucanos e democratas contra a matéria. "A gente confia no senador Nery e nos outros. Eu considero que a gente reúne aqui pessoas que se comprometem com a votação. Quem fizer uma coisa dessas e voltar atrás, teria que pedir pelo menos oito meses de licença do mandato", disse o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM).
Para aprovar a prorrogação da CPMF no plenário, os governistas precisam de 49 votos favoráveis à matéria --como previsto pela Constituição Federal em votações de emendas constitucionais.
Apesar das articulações, a oposição admite que, com a máquina do governo federal nas mãos, o Palácio do Planalto pode entrar em campo para evitar novas dissidências contrárias à CPMF.
"Temos que denunciar as tentativas de cooptação. Os senadores que vieram a essa reunião têm dignidade e uma face só. É impossível o recuo, que teria que ser justificado com argumentos. Não há nenhuma razão para não se confiar nos votos. São pessoas que, independentemente de pressões, vão votar contra", disse o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN).
Outro lado
Assim como a oposição afirma ter os votos contrários à prorrogação, os governistas dão como certa a vitória para a aprovação da CPMF. "Eles [DEM e PSDB] não estão certos. Acho que só teremos o resultado no dia da votação. Até lá, estamos no meio do processo", avaliou o senador Aloizio Mercadante (PT-SP).
Para o senador Mozarildo --um dos "dissidentes" da base aliada-- não haverá recuo de governistas contrários à CPMF capaz de permitir a prorrogação do "imposto do cheque" até 2011. O petebista admite, porém, que a máquina do governo poderá entrar em ação em busca de votos.
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