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Brasil
30/11/2007 - 11h03

Leia íntegra das respostas de José Eduardo Cardozo

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da Folha Online

O PT realiza no domingo o primeiro turno das eleições para direções nacional, estaduais e municipais da legenda. A Folha Online enviou por e-mail um questionário com 15 perguntas para os sete candidatos à presidência do PT: Ricardo Berzoini, Valter Pomar, Jilmar Tatto, José Eduardo Cardozo, Markus Sokol, Gilney Viana e José Carlos Miranda.

Ao contatar os candidatos ou seus assessores, a reportagem informou que as respostas seriam publicadas na íntegra e que não havia um limite de espaço --ressaltando que respostas muito longas deveriam ser evitadas.

Tuca Vieira /Folha
José Eduardo Cardozo diz que apoio do segundo turno precisa ser discutido com chapa
José Eduardo Cardozo diz que apoio do segundo turno precisa ser discutido com chapa

Leia abaixo as respostas dadas por José Eduardo Cardozo, da chapa Mensagem ao Partido, para as perguntadas da Folha Online.

Folha Online - Na sua opinião, o PT deve ter candidato próprio nas eleições presidenciais de 2010?

José Eduardo Cardozo - Este tema deve ser debatido no partido depois das eleições municipais, e o PT terá um nome a oferecer à sociedade brasileira. O PT tem história, tem programa, tem experiência de governo. Nós temos o dever de ter um candidato, uma candidatura deve ser escolhida sem arrogância ou imposições aos partidos aliados. O PT é o único partido que apresentou candidatura presidencial em todas as eleições depois da redemocratização. Sempre com o companheiro Lula. Este acúmulo tem um valor inestimável.

Folha Online - Se eleito, o senhor aceitaria defender em 2010 um nome da coalizão, mesmo que ele não seja do PT?

Cardozo - O debate sobre a sucessão será efetuado no devido tempo e conduzido pelo presidente Lula junto ao PT e aos demais partidos da base. O PT tem uma história de entendimento e de composição, onde sempre consultamos os nossos partidos aliados e construímos um processo democrático de escolha de candidatos. Ao seu tempo o PT oferecerá aos aliados seus nomes e consensuaremos o que for melhor para o Brasil.

Folha Online - O senhor aceita colocar como debate interno do PT a discussão sobre a realização de um terceiro mandato presidencial?

Cardozo - Este tema é de interesse apenas de nossos adversários. O presidente Lula já rechaçou esta proposta e desmentiu terminantemente este falso debate.

Folha Online - Na sua opinião, o mandato presidencial deveria ser ampliado para cinco anos?

Cardozo - Somos e sempre fomos contra manobras continuístas. Por isso somos contrários à ampliação de qualquer mandato em curso. Contudo, no contexto de uma reforma política, não vemos problema de que, no futuro, os mandatos de presidentes ainda não empossados possam ser de cinco anos.

Folha Online - O senhor defende a inclusão da Venezuela como membro pleno do Mercosul?

Cardozo - Sim. Nossas relações comerciais e políticas com a Venezuela são as melhores possíveis e a Venezuela reúne todas as condições determinadas pelas regras do Mercosul. O debate levantado sobre este tema no Congresso Nacional foi colocado apenas pela oposição incomodada pelo sucesso da política externa do governo Lula.

Folha Online - O senhor aprova as decisões recentes dos presidentes Evo Morales (Bolívia) e Hugo Chávez (Venezuela) de realizarem mudanças nas Constituições de seus países?

Cardozo - Quem deve aprovar é quem está aprovando! É o povo de cada país, diretamente ou através de seus representantes legalmente eleitos, que deve aprovar estas ou outras mudanças dentro dos marcos constitucionais próprios.

Folha Online - Como o senhor vê a presença do Brasil no Haiti?

Cardozo - Temos um mandato da ONU para cumprir e não podemos fugir às nossas responsabilidades perante a comunidade internacional. A presença brasileira é positiva para a reconstrução do país e da democracia no Haiti. Contudo, entendemos que a retirada das tropas deve acontecer da forma mais rápida possível, com o fornecimento de apoio material para a melhoria das condições de vida da população haitiana.

Folha Online - Qual a sua opinião sobre a relação entre o PT e a mídia? Numa situação ideal, como ela deveria ser?

Cardozo - Um exemplo: na terça-feira o Brasil entrou na relação de nações de alto índice de desenvolvimento humano da ONU, um feito do governo do PT porque combatemos a pobreza, distribuímos melhor a renda, investimos em saneamento e educação, porque aumentou a expectativa de vida dos brasileiros. Porém a imprensa começou destacando a queda relativa de uma posição no ranking, uma nota completamente marginal diante da noticia. O PT sempre defendeu a liberdade de imprensa, mas apontamos também a responsabilidade da imprensa com a verdade e com a isenção na cobertura dos fatos políticos.

Folha Online - Qual é o PT que ficou depois do partido ser acusado de envolvimento com várias denúncias, como a do mensalão?

Cardozo - A atual direção não teve capacidade de dar uma resposta correta à crise. Mas a base do partido soube responder com uma mobilização total na reeleição do presidente Lula. O partido não se abateu, mas exige o fim daquele modelo de direção que criou espaço para as práticas partidárias que reprovamos em outros partidos.

Folha Online - Como o partido deve se posicionar para retomar as bandeiras da ética e se aproximar da militância de rua e dos movimentos sociais?

Cardozo - A primeira medida é a troca do comando partidário neste PED. Vamos vencer para retomar a bandeira da ética. Vamos vencer para superar o afastamento com as classes populares, reconstruir pontes com o movimento social, fomentar a democracia interna e a participação dos filiados, preparando o partido para novas vitórias.

Folha Online - O senhor apóia as estratégias utilizadas pelos movimentos de trabalhadores rurais de ocupações e invasões para chamar a atenção para o problema da reforma agrária?*

Cardozo - A reforma agrária avançou enormemente no governo Lula. O PT deve lutar pela continuidade da democratização da estrutura fundiária, pela atualização dos índices de produtividade da terra, lutar pelo apoio aos assentados e pela universalização da educação do campo. Os movimentos sociais lutam e escolhem seus temas e promovem suas ações, do mesmo modo que defendemos o estado democrático de direito. É necessário, contudo, mudar a legislação vigente afirmando indubitavelmente a função social da propriedade agrária, para avançar a reforma agrária.

Folha Online - O senhor apóia a realização de um plebiscito para rediscutir a privatização da Companhia Vale do Rio Doce?

Cardozo - O PT aprovou o apoio à realização do plebiscito sobre a privatização da Vale em seu terceiro congresso. Este processo de privatização, e muitos dos demais que foram realizados também, foram feitos em condições muito negativas para o país, cercados de privilégios e de interesses particulares.

Folha Online - Na sua opinião, a Vale é um exemplo de privatização bem-sucedida?

Cardozo - A Vale é um exemplo de empresa brasileira que soube aproveitar a tremenda valorização de commodities provoca pela expansão da economia chinesa. Mas registramos que ela sempre foi uma grande empresa, e empresas estatais quando defendem os interesses nacionais e tem boa administração como a Petrobrás, são muito bem-sucedidas.

Folha Online - O senhor aprova a política econômica do atual governo que prioriza a estabilidade econômica e o controle da inflação? O senhor defende uma aceleração na política de redução dos juros?

Cardozo - A política econômica do governo Lula prioriza a geração de empregos e o aumento da renda dos trabalhadores e trabalhadoras deste país. A estabilidade econômica e o controle da inflação são elementos essenciais deste processo. A política de redução de juros está correta deve ser seguida e sua velocidade depende da análise correta de cada momento. Existe espaço para uma redução continuada dos juros e assim defendemos que seja feito. Além de registrarmos a necessidade de controle da movimentação especulativa de capitais e que o Banco Central esteja sob controle republicano e em coerência com o desenvolvimento econômico.

Folha Online - O senhor defende a realização de novas reformas tributária, previdenciária e política?

Cardozo - Estas reformas são absolutamente necessárias ao Brasil. Somente a reforma tributária pode acabar com a guerra fiscal entre estados, simplificar e modernizar o processo fiscal. A reforma previdenciária tem que garantir a renda dos aposentados, acabar com o fator previdenciário, reequilibrar o sistema pela tributação efetiva e pelo combate a sonegação. A reforma política, feita através de uma Constituinte exclusiva, deve implantar a fidelidade partidária, o financiamento público de campanhas, a proporcionalidade real entre eleitos e número de eleitores, facilitar os plebiscitos e referendos, avançando no aperfeiçoamento do sistema eleitoral a da democracia.

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Comentários dos leitores
Henrique Silva (211) 06/12/2009 19h31
Henrique Silva (211) 06/12/2009 19h31
Isso é que é Brasil. Critica o único partido que conseguiu fazer alguma coisa: Reduzir o desemprego, aumentar salário mínimo, tirar 32 milhões de brasileiros da pobreza, fazer o estado investir e garantir 4,2% de média de crescimento.
O partido anterior privatizou a maioria das estatais, dobrou o desemprego, aumentou nossa divida externa, viciou o sistema público com empreiteiras e propinas (sem que polícia federal e TCU pudessem investigar), reduziu os investimentos em educação alegando cortar gastos para pagar os juros da dívida que eles mesmos criaram (superavit primário) e congelou investimento do estado - mantendo crescimento médio de 2,2%.
É ISSO AÍ BRASILEIROS, METE BROCA NO PT E VOTE NO PARTIDO OPOSITOR! ISSO QUE É INTELIGÊNCIA...
sem opinião
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Gino Nodario (45) 05/12/2009 15h28
Gino Nodario (45) 05/12/2009 15h28
Isso é Brasil homenageia-se aqueles que roubam o dinheiro público que partidos politicos que temos em nosso país é uma mera coincidencia com o PCC só que mais sofisticado com com sede na Camâra Senado na Presidencia viva o Brasil viva o futebol viva o carnaval viva o samba enquanto não desenvolvermos uma mentalidade politica e exigente seremos simplesmente povinho. 7 opiniões
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Alziro Ribeiro da Silva (50) 05/12/2009 13h57
Alziro Ribeiro da Silva (50) 05/12/2009 13h57
Dizem que é partido dos trabalhadores e vejam só que os convites custam 150 / 1.ooo. imaginem se fosse dos empresários?. trabalhador mesmo não pode nem passar perto.... 4 opiniões
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