Índios começam a deixar sede da Funasa em Manaus
MATHEUS PICHONELLI
KÁTIA BRASIL
da Agência Folha
Os cerca de 150 índios que invadiram há duas semanas a sede da Funasa (Fundação Nacional de Saúde) em Manaus começaram ontem a deixar o local, no início da noite, após o anúncio de que o Ministério da Saúde havia determinado uma intervenção na coordenação regional da entidade no Amazonas.
Pressionada, a coordenadora do órgão no Estado, Margareth Menezes Neiva Eulália, teve a exoneração publicada hoje no "Diário Oficial da União". A saída dela era uma das reivindicações dos indígenas. Ela será substituída pelo contador Narciso Barbosa, funcionário de carreira da Funasa.
O presidente da Funasa, Danilo Forte, disse ontem que a pressão para que os índios deixassem o local ganhara força após a morte de uma criança da etnia indígena canamari, de um ano, por desnutrição e desidratação, em Parintins (325 km de Manaus), no fim de semana.
Segundo coordenação regional da Funasa, só havia um telefone celular para coordenar as ações de remoção dos doentes, internações e até mesmo receber informações de aldeias. Os gabinetes, onde funcionam sistema para expedir a documentação e justificar os gastos, estavam invadidos.
No início da semana, a coordenação informou à reportagem que encontrava dificuldade para atender uma epidemia de malária em aldeias de índios suruaha, que vivem na região de Lábrea (703 km de Manaus).
Uma criança conseguiu ser transferida para um hospital em Manaus, no sábado, mas seu estado era grave. O órgão diz que enfrenta ainda um surto de hepatite B na região do vale do Javari, onde vivem 3.600 índios.
Um dos líderes do protesto, Warlen Mura disse ontem que a morte da criança não estava confirmada e que a Funasa estava tentando jogar a culpa nos indígenas. "A gente deixava os funcionários trabalhar. Não entravam porque não queriam."
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