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Brasil
30/11/2007 - 07h39

Ministro diz que bispo adota "postura fundamentalista"

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FÁBIO GUIBU
da Agência Folha, em Sobradinho (BA) e Petrolina (PE)

O ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, disse ontem, em Petrolina (780 km de Recife, PE) que o bispo de Barra (BA), dom Luiz Flávio Cappio, adotou "postura fundamentalista" ao retomar a greve de fome para protestar contra a transposição das águas do rio São Francisco.

Segundo Geddel, Cappio e a igreja "têm total legitimidade para criticar, apontar caminhos, pastorear almas, mas não para governar". "A legitimidade para governar é de quem se submeteu ao debate popular e obteve do povo essa licença", disse.

"Essa postura fundamentalista do bispo vai contra ensinamentos da igreja, vai contra o que eu aprendi a respeitar desde muito jovem, como saber que é pecado atentar contra a vida", declarou.

O ministro, que acompanha uma missão da União Européia em visita de dois dias a projetos de fruticultura irrigada na região, afirmou que não havia "nenhuma" possibilidade de ele visitar o bispo, que está em Sobradinho (BA), a 60 quilômetros de Petrolina.

Geddel reafirmou ainda que o governo não vai paralisar as obras da transposição, apesar da ameaça de Cappio de manter o jejum até a morte. "Ele fala o que quiser, e eu estou lhe dizendo que essa obra vai ser levada adiante, porque essa é uma determinação do presidente Lula", disse Geddel.

Ainda de acordo com ele, o governo está "aberto para ouvir todas as posições que venham a melhorar o projeto", mas não aceita imposições. "Diálogo eu aceito e estou aberto sempre. Chantagem, não aceito de ninguém", declarou.

Em Sobradinho, Cappio, que entra hoje no quarto dia de greve de fome, não comentou as declarações do ministro. Disse que "o momento de se posicionar já passou" e que não quer polemizar. "O momento é de jejum e oração", afirmou.

Ontem, o religioso recebeu apoio da Via Campesina, entidade que reúne nove movimentos de luta pela terra, quilombolas e índios. Por meio de nota, o grupo, que tem entre seus integrantes o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), anunciou que transformará sua "solidariedade fraterna" em "luta prática por todo o território nacional".

Cappio, que jejua na igreja de São Francisco, manteve a rotina dos últimos dias. Recebeu visitas de apoio, entre elas a de crianças da creche comunitária Gente Valente. Meninos e meninas vieram em jejum, sem tomar o café da manhã, em homenagem ao religioso.

Pela primeira vez desde o início da greve de fome, o bispo foi examinado por um médico, o plantonista do hospital municipal de Sobradinho Paulo Romero. Segundo ele, Cappio "está bem" e, por ser "uma pessoa preparada", não deverá apresentar problemas de saúde na primeira semana de jejum. "Só vai perder peso."

O bispo divulgou uma "carta ao povo do Nordeste", em que explica o motivo do seu protesto e afirma que não é contra o direito dos nordestinos à água. "Fosse a transposição solução real para as dificuldades de água de vocês, eu estaria na linha de frente da luta por ela."

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