Oposição articula adiamento da votação da CPMF para evitar derrota
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
Com a possibilidade de não reunir os votos necessários para impedir a aprovação da proposta que prorroga a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) até 2011, a oposição já se articula para atrasar a votação da matéria no plenário da Casa. Senadores do DEM e PSDB decidiram fazer uma contabilidade diária dos votos para definir qual a estratégia a ser seguida antes que a matéria chegue ao plenário.
A Folha Online apurou que a oposição pretende postergar a votação da matéria na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) se perceber que não tem os 33 votos necessários para impedir a aprovação da CPMF no plenário. O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), pretende colocar em votação seu parecer na CCJ sobre as emendas apresentadas à matéria na quarta-feira.
O objetivo de Jucá é aprovar o parecer na comissão na quarta-feira para, um dia depois, incluir a prorrogação da CPMF na pauta de votações do plenário. A oposição chegou a concordar com essa estratégia na semana passada, quando anunciou ter os votos necessários para impedir a vitória governista.
DEM e PSDB, no entanto, afirmam agora que vão lutar para que os prazos regimentais de tramitação da matéria sejam respeitados na CCJ --uma vez que o regimento da Casa prevê até 30 dias para que o parecer seja colocado em votação na comissão.
"Vai ser tudo seguido religiosamente dentro das normas regimentais. O presidente da CCJ tem autoridade para definir o melhor prazo de votação", disse o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN).
O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), disse ser favorável ao adiamento da votação da CPMF --já que a vigência da contribuição termina no dia 31 de dezembro deste ano.
"Se houvesse uma estratégia para levar a votação para janeiro, seria ideal. Eu acho que votar agora fica apressado demais, apesar da oposição achar que deveria se votar já há 15 dias. Há algumas mudanças de votos que vão surgir nos próximos dias que vão definir a votação", afirmou Guerra.
Oficialmente, a oposição nega que tenha perdido votos para derrubar a prorrogação da CPMF. A mudança no discurso, porém, foi motivada pela possibilidade de dissidências na base aliada do governo. O DEM e o PSDB temem que o governo intensifique a liberação de créditos a governistas nos próximos dias em busca de votos favoráveis à matéria.
"Vai ser muito duro. Estamos falando de uma diferença de dois ou três votos para um lado ou para o outro", reconheceu Guerra.
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