Lula faz apelo pela aprovação da CPMF e diz que é mais fácil ser oposição
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira que precisou ser governo para entender que é mais fácil estar na oposição. Ao defender a prorrogação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), o petista apelou para que o Senado siga o exemplo da Câmara, aprovando a proposta. Ele pediu ainda que os governadores procurem os senadores em busca do entendimento para garantir a aprovação da medida.
"Eu precisei chegar à Presidência da República para perceber que é muito mais fácil ser oposição do que governo. Quando se é governo, você faz ou não faz. Executa ou não", afirmou o presidente durante solenidade de lançamento do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) da Saúde, no Palácio do Planalto, argumentando a necessidade de garantir recursos para o setor.
Na presença de 20 governadores, ministros, parlamentares e convidados, Lula afirmou que sem a CPMF pode haver um retrocesso no país. "Eu só espero que todos tenham juízo e não atrapalhem o que o Brasil levou três décadas para conquistar, o que é um momento de muito otimismo", disse o presidente. Sem entrar na polêmica sobre quando será votada a CPMF, ele lembrou ser impossível fugir do momento que isso deve ocorrer.
"Não sei se vota hoje ou amanhã [a CPMF]. Mas em algum momento os senadores vão ter de apertar o botão. O que deve prevalecer é que o ganhador seja o povo brasileiro. O ganhador seja o mais humilde", disse Lula.
Negociações
Depois de elogiar a Câmara, que aprovou em dois turnos a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) da CPMF e também a emenda 29 da Saúde, o presidente pediu aos governadores que tentem negociar com os senadores de seus Estados para garantir a aprovação da proposta.
Sem citar os partidos de oposição nem aqueles que o criticam, Lula ironizou os ataques que recebe. "O Brasil tem um tipo de gente que adora criticar o Estado quando ele vai bem. Os governadores sabem o que estou dizendo", disse. "Aí aparecem os amigos do rei para falarem: desonera. É importante ir desonerando. Mas cada vez que a gente desonera, aparece o déficit da Previdência Social."
Segundo Lula, os governadores devem passar por cima das divergências regionais e colaborarem com o governo para assegurar a aprovação da CPMF.
"Eu penso que os senadores deveriam fazer uma reflexão junto com os governadores, afinal o Senado é a Casa da federação. É no Senado que há três senadores representando cada Estado, sem proporcionalidade", afirmou Lula. "Seria bom que cada senador conversasse com o governador para fazer uma reflexão sobre o que a CPMF representa para cada Estado", reiterou.
O governo lançou hoje o PAC da Saúde, que vai destinar a aplicação de cerca de R$ 88,6 bilhões em quatro anos. O plano define a implementação do Programa Mais Saúde.
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