Lula diz que governadores sofrerão com fim da CPMF e pede pressão sobre Senado
da Folha Online
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a atacar a oposição e pediu o empenho dos governadores e da população para pressionar os senadores de seus Estados a votarem a favor da PEC (proposta de emenda constitucional) que prorroga a cobrança da CPMF até 2011. A PEC está pronta para ser votada, em primeiro turno, no plenário do Senado.
Sem o apoio necessário para aprovar a matéria, a base governista esvaziou o Senado e adiou a votação de ontem para terça-feira. Para ser aprovada, a proposta precisa de ao menos 49 votos favoráveis, em cada um dos dois turnos.
Em tom de ameaça, Lula disse que prefeitos e governadores vão sofrer as conseqüências de uma eventual derrota da CPMF no Senado. "Sabemos que a hora em que tirar R$ 40 bilhões [do Orçamento], quem vai sofrer são prefeitos e governadores. Na hora de cortar R$ 40 bilhões, vamos ter que tirar de algum lugar", afirmou ele numa referência à arrecadação prevista com a CPMF em 2008.
Por isso, Lula pediu o empenho dos governadores na aprovação da CPMF. "Quero pedir ao Waldez [Góes, governador do Amapá] e ao [Roberto] Requião [governador do Paraná] que digam para senadores que não querem que o país dê certo que tentem me prejudicar de outra formas. Que subam na tribuna e passem 24 horas falando mal de mim, mas mas não prejudiquem a parte mais pobre que será a beneficiária da CPMF."
Além de apelar para os governadores, Lula pediu para a população ficar atenta contra os senadores que votarem contra a CPMF. "Peço para ficarem atento sobre qual será o voto dos senadores na próxima semana ou sabe lá quando vão votar."
Torneiro
Lula mandou um recado para a oposição ao afirmar que o "momento da disputa é eleitoral". "Depois precisa do tempo da governança."
Lula disse ainda que é a oposição que torce contra o sucesso do "torneiro mecânico" que chegou à Presidência e por isso tenta derrotar a CPMF. "Lá no Senado tem algumas pessoas, não todas, nos partidos de oposição, que não querem e não aceitam que esse país dê certo. Não querem e não aceitam e muito menos admitem o sucesso de um torneiro mecânico na Presidência da República."
O presidente fez questão de lembrar que não foi ele que criou a CPMF --numa referência ao governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). "E agora vai vai votar na semana que vem a CPMF. Não fui que a criei. Mas Orçamento da União prevê entrada de R$ 40 bilhões."
Em seu discurso, Lula afirmou que a CPMF é um tributo justo --ele chama a CPMF de imposto, mas ela é uma contribuição. "Alguns senadores que não querem que o país dê certo querem abolir esse imposto, que é justo porque é distributivo, que só atinge 13 milhões de pessoas. É o famoso imposto do cheque. E 80% do povo brasileiro não tem cheque."
O presidente voltou a repetir que os sonegadores são contrários à CPMF. "Os que são contra são aqueles que adorariam sonegar, como sonegaram a vida inteira."
Lula afirmou ainda que existe a turma que só fica feliz quando o país está em crise. "Lamentavelmente, tem gente que acha que não pode dar certo, que está tudo indo bem e que o Brasil precisa de crise. Porque sem crise a gente não tira proveito de nada. Quero dizer para esses que pensam assim: o Brasil não vai ter crise."
Sarney
O presidente aproveitou para elogiar o senador José Sarney (PMDB-AP) --cotado para assumir a presidência do Senado com o aval do Planalto. "Tinha gente do PMDB que não admitia que Sarney fosse presidente após morte de Tancredo [Neves]. O problema não é de maioria ou minoria. Tinha mais gente querendo que ele não desse certo do que desse certo. O Sarney comeu o pão que o diabo amassou."
Ele participou hoje da assinatura do decreto de transferência de domínio de terras da União para o governo do Estado do Amapá.
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