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Brasil
07/12/2007 - 21h15

Entidades querem reunir 10 mil em manifestação de apoio à greve de fome de dom Cappio

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FÁBIO GUIBU
da Agência Folha, em Sobradinho

Romeiros de oito Estados vão se reunir domingo em Sobradinho (540 km de Salvador) para a maior manifestação de apoio à segunda greve de fome do bispo de Barra (BA), dom Luiz Flávio Cappio, 61, contra o projeto de transposição das águas do rio São Francisco. Os organizadores esperam reunir 10 mil pessoas no evento.

A romaria, que terá duração de dez horas, coincidirá com o dia em que o religioso ultrapassará o tempo de jejum do primeiro protesto, realizado há dois anos. Em 2005, Cappio ficou 11 dias sem se alimentar.

Barracas de lona estão sendo erguidas ao lado da igreja de São Francisco, onde Cappio protesta. No mesmo terreno, um palco está sendo construído para celebrações ecumênicas, discursos políticos e um show de forró.

A direção nacional do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) visitou o local durante a semana e informou que participará do evento com cerca de 5.000 pessoas. A romaria será encerrada à tarde com um ato público às margens do rio São Francisco.

O bispo, que bebe soro caseiro e aumenta os períodos de descanso a cada dia, disse considerar importantes as mobilizações populares, mas que não vê simbolismo no fato de ultrapassar os 11 dias de jejum. "Não estou competindo com ninguém, não estou numa Olimpíada", declarou.

Mesmo assim, ele comparou a primeira greve de fome com a atual. "A primeira foi improvisada, inesperada, e provocou polêmica", disse. "Hoje, as coisas estão mais organizadas dos dois lados. Isso faz com que a solução demore."

Cappio citou o Evangelho para dizer que está preparado: "O Evangelho diz que antes de entrar na guerra é preciso saber quantos soldados você tem, para avaliar se há condições de enfrentar o inimigo. Eu tenho uma porção [de soldados]".

Entre os aliados que o visitaram hoje estava a presidente do PSOL, Heloísa Helena, e o ex-governador de Sergipe João Alves Filho. Heloisa classificou a transposição de "farsa técnica e fraude política" e disse que a obra só beneficiará "empreiteiras, construtores e o latifúndio de exportação".

O Ministério da Integração Nacional informou, pela assessoria de imprensa, que o projeto da transposição será mantido como está.

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