Brasil
08/12/2007 - 08h25

Suspeitos negam saber de desvios em Alagoas

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LUIZ FRANCISCO
da Agência Folha, em Maceió
CÍNTIA ACAYABA
da Agência Folha

Suspeitos de desviar cerca de R$ 200 milhões da Assembléia Legislativa de Alagoas, detidos na Operação Taturana, começaram a ser ouvidos ontem pela Polícia Federal em Maceió e usaram a mesma defesa.

Todos contaram que foram envolvidos pelo esquema e que não sabiam que servidores fantasmas e "laranjas" integravam a folha de pagamento da Casa.

Anteontem, 41 pessoas foram presas na operação, entre elas um ex-governador do Estado, um deputado e dois ex-deputados estaduais. De acordo com a PF, deputados e assessores fraudaram a folha de pagamento da Casa entre 2001 e 2006 com a inclusão de "laranjas" e fantasmas.

"Além da invenção de funcionários para justificar pagamentos dos salários, os envolvidos aumentavam vencimentos de funcionários contratados e desviavam a diferença entre o valor real e o do contracheque", disse o delegado Janderlyer Gomes.

Até as 20h de ontem, cinco suspeitos haviam prestado depoimento --o ex-deputado estadual Gilberto Gonçalves, o prefeito de Roteiro (AL) e ex-diretor financeiro da Assembléia, Fábio Jatobá (PTB), dois assessores parlamentares e um empresário.

De acordo com a PF, dez dos 27 deputados estaduais de Alagoas têm participação no suposto esquema. Desses dez, apenas Cícero Ferro (PMN) foi preso, em um flagrante de porte ilegal de arma.

Os crimes em apuração são estelionato, crime contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro, peculato (desvio de verba pública), corrupção passiva e formação de quadrilha.

Predomínio do PMN

Cinco dos dez deputados suspeitos são do PMN, sigla majoritária na Assembléia alagoana, com 12 dos 27 deputados.

Além de Ferro, integram o partido Cícero Amélio, 1º secretário da Mesa, Nelito Gomes, 2º secretário e filho do ex-governador Manoel Gomes de Barros, preso na operação, Isnaldo Bulhões, filho do presidente do Tribunal de Contas do Estado, e Arthur Lira.

O presidente do PMN no Estado, o ex-deputado estadual Celso Luiz, também foi preso na operação.

De 2005 a 2006, o partido, que tinha só um deputado, passou a ter a maior bancada. O inchaço se deu a partir de junho de 2005, capitaneado pela filiação de Luiz, que estava no PSB. Luiz foi candidato a vice na chapa de João Lyra (PTB), que perdeu para o governador Teotônio Vilela Filho (PSDB).

Segundo o secretário do PMN no Estado, Ildo Vasconcelos, foi Luiz quem "formou a chapa dos deputados, dos quais elegeram-se 12".

Além deles, estão sob suspeita o presidente da Assembléia, Antonio Albuquerque (DEM), Flávia Cavalcante (PMDB), Dudu Albuquerque (PSB), Edival Gaia Filho (PSDB) e Maurício Tavares (PTB).

A PF também fez busca e apreensão na empresa Elógica, em Olinda (PE), que emite os contracheques da Assembléia alagoana. Para a polícia, a empresa emitia, a pedido do Legislativo, contracheque superior ao salário do funcionário, e a Casa e a empresa ficavam com a diferença.

Prisões e solturas

Foram 43 mandados de prisão expedidos na operação --dois não haviam sido cumpridos até o início da noite de ontem. O ex-governador Barros (1997-1999, pelo PTB) deixou a prisão anteontem, beneficiado por habeas corpus.

Ele foi preso por porte ilegal de arma, em sua fazenda, quando policiais procuravam o deputado Nelito Gomes, seu filho. Ele alega que as armas eram utilizadas por PMs que fazem sua segurança.

Outras três pessoas presas anteontem --um bancário, uma auditora da Receita Federal e um assessor-- também foram liberadas ontem.

No início da noite de ontem, o TRF-5 (Tribunal Regional Federal da 5ª Região) negou pedido dos deputados suspeitos para que seus depoimentos fossem marcados para janeiro. Determinou que todos prestem depoimentos até terça-feira.

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