Sem apoio, governo já admite novo adiamento da votação da CPMF
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
Sem número suficiente para aprovar, em primeiro turno, a pec (proposta de emenda constitucional) que prorroga a cobrança da CPMF até 2011, o governo já cogita adiar novamente a votação da matéria. Para passar, a proposta precisa ser aprovada em dois turnos, com ao menos 49 votos favoráveis em cada um.
Primeiro, o governo manobrou e adiou a votação da semana passada para amanhã. Sem perspectiva de reunir os 49 votos necessários, a base governista admite um novo adiamento. Desta vez, a desculpa é o acidente com a líder do governo no Congresso, Roseana Sarney (PMDB-MA), que está internada em Brasília após quebrar o punho e ser submetida a uma cirurgia. Na semana passada, a desculpa foi a falta de quórum para a votação.
O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), condicionou nesta segunda-feira a votação da proposta que prorroga a CPMF à presença da senadora Roseana Sarney. Jucá disse que só colocará a CPMF em votação quando a base governista tiver a certeza que 49 dos 81 senadores votarão a favor da matéria.
"Estou fechando os números, mas temos agora um problema, a senadora Roseana Sarney, que está internada no hospital Sara Kubitschek e foi operada. Eu preciso saber se ela vai poder votar aqui amanhã. Nós temos de votar com quórum máximo."
O líder afirmou ainda que a proposta de aumentar o repasse de recursos à saúde ainda está sendo analisado pelo governo e não há nenhuma definição.
Assim como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), Jucá cobrou responsabilidade dos senadores da oposição na votação. "Temos de discutir a CPMF tecnicamente e não politicamente."
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