Garibaldi apóia CPMF e diz que não fará oposição ao Planalto
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
Indicado pela bancada do PMDB para presidir a presidência do Senado, o senador Garibaldi Alves (RN) disse nesta terça-feira que não vai fazer oposição ao Palácio do Planalto. O PMDB, dono da maior bancada do Senado, diz que tem o direito de indicar o sucessor de Renan Calheiros (PMDB-AL), que renunciou ao cargo.
"Eu não vou fazer oposição ao Planalto. Vou preservar a independência dos poderes, inclusive o Legislativo, recuperando sua credibilidade perante a nação", disse ele logo depois de ser escolhido pela bancada do PMDB para ser indicado para a presidência do Senado.
A eleição para presidente do Senado está marcada para amanhã --mesmo dia em que a proposta de prorrogação da CPMF será votada pelo plenário da Casa. Garibaldi disse que votará a favor da CPMF. "Eu vou votar a favor da CPMF. Acho que que a CPMF, agora sendo deliberada, se não for prorrogada, o governo vai ter um abalo grande na sua programação financeira. O dinheiro está reservado para o Bolsa-Família e saúde."
Mesmo com essa posição governista, Garibaldi disse acreditar que será eleito presidente da Casa com o apoio de partidos aliados e da oposição. Sua candidatura foi articulada pelo Palácio do Planalto com o apoio do senador José Sarney (PMDB-AP) --mas sofreu com a resistência de alguns governistas.
Garibaldi, entretanto, afirma não acreditar que seu nome seja rejeitado no plenário. "Eu ainda não conversei com a oposição, mas ouvi declarações de líderes de que, se eu fosse escolhido, haveria de prevalecer o critério da proporcionalidade [que garante ao PMDB indicar o presidente do Senado por reunir a maior bancada de senadores]", afirmou.
Garibaldi disse que tanto a oposição quanto os governistas terão que compreender sua independência em relação ao Palácio do Planalto. "A presidência conduz os trabalhos com independência. Eu acho que a oposição deve saber bem que a ela está reservada uma tarefa. Ao presidente do Senado, outra", afirmou.
A oposição ameaça lançar um candidato independente na disputa se não concordar com a indicação do PMDB. As bancadas do DEM e PSDB devem se reunir esta tarde para discutir a escolha de Garibaldi.
O nome do peemedebista recebeu críticas de alguns governistas pela postura "independente" do parlamentar quando foi relator da CPI dos Bingos --que ganhou o apelido de "CPI do fim do mundo" pela quantidade de investigações contrárias ao governo federal em 2005. O peemedebista afirmou, porém, que não acredita que "ressentimentos passados" possam prejudicar sua eleição para a presidência do Senado.
"Eu não acredito nessa desconfiança do Palácio em relação a mim pelo fato da distância de tudo que ocorreu. Um governo não pode ser movido por ressentimentos pequenos. Eu não acredito que o que aconteceu na CPI possa servir para qualquer ação política."
Garibaldi afirmou que, se for eleito presidente da Casa, vai ter como principal missão recuperar a credibilidade do Senado após a crise política que envolveu o ex-presidente Renan Calheiros (PMDB-AL). "O que eu vou procurar fazer é me reunir com os líderes e fazer a Casa funcionar melhor. Essa crise foi deixada para trás. Nós temos é fazer com que o Senado possa viver dias melhores", afirmou.
Apoio
Como um dos principais articuladores da candidatura de Garibaldi, Sarney disse que o peemedebista tem plenas condições de se tornar o novo presidente do Senado. "Ele tem uma experiência grande aqui dentro. É um bom nome para o Senado", afirmou.
Sarney disse não acreditar que a postura independente de Garibaldi na CPI dos Bingos prejudique a sua escolha para presidir a Casa. "Isso já está superado há muito tempo", avaliou o peeemedebista.
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