Integrantes do MST voltam a invadir área em Limeira (SP)
MAURÍCIO SIMIONATO
da Agência Folha, em Campinas
Integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) voltaram a invadir na manhã de hoje uma área do Horto Florestal Tatu, em Limeira (151 km de SP).
Trata-se do mesmo terreno de onde militantes do MST foram retirados à força pela Polícia Militar, há 13 dias, em cumprimento a um mandado judicial de reintegração de posse.
Na ocasião, segundo o movimento, 20 integrantes do MST ficaram feridos. A PM usou bombas de efeito moral, gases pimenta e lacrimogêneo e balas de borracha para desocupar a área de 5 km² --equivalente a cerca de três parques Ibirapuera, em São Paulo.
De acordo com líderes do MST, a nova invasão, com 600 pessoas, é por tempo indeterminado. Os sem-terra começaram a erguer barracos no local hoje.
A área foi invadida pela primeira vez em abril. A Prefeitura de Limeira pediu reintegração de posse, concedida pela Justiça do Estado.
Hoje, os sem-terra invadiram a área quando dois guardas municipais faziam a segurança do local. Segundo a Guarda Municipal, um carro da corporação foi depredado.
A posse da terra está sub judice. O Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e a Prefeitura de Limeira disputam a área.
De acordo com o Incra em São Paulo, o Horto Tatu está oficialmente em nome da extinta RFFSA (Rede Ferroviária Federal). Com a extinção, o patrimônio foi convertido para a União. O Incra quer que o imóvel seja destinado ao Programa Nacional de Reforma Agrária.
Em nota, a Prefeitura de Limeira informou utiliza a área "há mais de 30 anos", e que "recentemente requereu à Secretaria Estadual do Meio Ambiente autorização para instalar, em parte daquele espaço, o novo aterro sanitário [da cidade]". A prefeitura pediu hoje à Justiça do Estado a revalidação da liminar (decisão provisória) de reintegração de posse da área.
O TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região) determinou na semana passada que a competência para julgar o caso é da Justiça Federal em Piracicaba (SP), e não da Justiça do Estado.
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