Governador do DF critica negociação do Planalto, mas diz que CPMF não é tão ruim
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), criticou nesta quarta-feira a forma como o governo conduziu as negociações no Senado em busca da aprovação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira). Segundo ele, o principal erro foi tentar cooptar os senadores em vez de buscar uma negociação "institucional".
"Talvez [as dificuldades existentes] tenham sido provocadas por equívocos nas negociações, de lado a lado", afirmou Arruda, antes de uma cerimônia no Palácio do Planalto que trata de educação. "Houve [a tentativa de] cooptação de senadores e não uma negociação institucional."
Ontem, Arruda foi procurado pessoalmente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O presidente tomou café da manhã com o governador e pediu a sua ajuda para tentar aprovar a CPMF. É que os democratas fecharam questão determinando voto contrário à proposta.
Mesmo favorável à CPMF, o governador disse que não tomou a frente das negociações porque seu partido fechou questão. Mas ele sinalizou que gostaria de ter atuado pela aprovação da medida. "Se meu partido não tivesse fechado questão, talvez pudesse ser diferente."
Em seguida, Arruda defendeu a CPMF. "Não acho a CPMF o pior imposto do mundo. Há impostos piores. Confesso que sem ela [a CPMF], podem ocorrer prejuízos aos Estados."
Arruda disse que dispõe a tentar aproximar os democratas e a oposição com o governo federal. "Sou um homem de diálogo. A contribuição que posso dar é de abrir o diálogo", disse o governador, que apoio a possibilidade de repassar integralmente toda a arrecadação obtida via CPMF para saúde.
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