Governo manda ministros recalcularem gastos e critica oposição por fim da CPMF
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
O governo determinou que todos os ministros refaçam os cálculos de previsão de gastos para 2008 e apresentem as conclusões o mais rápido o possível. A orientação é para que eles indiquem os setores que podem sofrer cortes. É que o governo ficará sem R$ 40 bilhões que a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) arrecadaria só em 2008.
A idéia é apresentar esse relatório até o começo da próxima semana para depois levá-lo ao ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva --que está hoje em viagem na Venezuela. Até lá, interlocutores do presidente evitam sinalizar novas propostas.
O ministro José Múcio Monteiro (Relações Institucionais) defendeu que o governo e seus aliados façam uma revisão sobre eventuais equívocos cometidos ao longo das negociações com o Congresso. Para ele, houve erros de avaliação que devem ser corrigidos a tempo de aprovar o Orçamento Geral da União para 2008.
"O governo talvez tenha errado porque subestimou [a discussão política] e nós nos deparamos com a briga de poder", afirmou Múcio. "Nós perdemos para nós mesmos porque os votos que faltaram, nós considerávamos dos nossos aliados", disse ele.
O comentário do ministro foi uma referência à votação da prorrogação da CPMF (Contribução Provisória sobre Movimentação Financeira), rejeitada com 45 votos favoráveis e 34 contrários. Para ser aprovada, precisava de ao menos 49 votos favoráveis.
Ataques
Sem citar o DEM e PSDB, Múcio atacou a oposição. Segundo ele, a derrota do governo será pedagógica. Mas criticou os que dificultaram as negociações sem pensar nas conseqüências do fim da cobrança do imposto. "Existe uma minoria que não pensa nas próximas gerações, mas nas próximas eleições", afirmou ele.
Indiretamente, o ministro elogiou a atuação dos governadores do PSDB principalmente José Serra (São Paulo) e Aécio Neves (Minas Gerais). Porém, evitou mencioná-los claramente, referiu-se a ambos como "nomes mais expressivos da oposição" que trabalharam pela aprovação do "imposto do cheque".
Segundo Múcio, apesar do esforço dos governistas, há um grupo de parlamentares que não se sensibiliza com argumentos nem necessidades. "Existem dois grupos de brasileiros, aqueles que trabalham pelo quanto melhor, melhor. E, aqueles que preferem o quanto pior, melhor", afirmou ele, referindo-se à oposição.
Para o ministro, a idéia de convocação extraordinária do Congresso para votar o Orçamento deve ser descartada. Segundo ele, o período do recesso parlamentar ---parte de dezembro e janeiro inteiro-- deve ser utilizado para reflexão. "Acho que a convocação será sem efeito. Dezembro e janeiro servirão para cada um fazer sua reflexão", afirmou.
Leia mais
- Ideli critica oposição e diz que punições a dissidentes devem ser avaliadas por partidos
- Comissão admite que votação de novo Orçamento deve ficar para fevereiro
- Mantega diz que saúde será área mais afetada com fim da CPMF
- Após perder CPMF, governo refaz orçamento, prepara pacote e nega redução de superávit
- Livro explica às famílias conceitos de tributos federais, estaduais e municipais
Especial


avalie fechar
Solicito a ampliação da matéria sobre os vice-prefeitos da cidade, incluindo TODOS os partidos que participam das eleições e não somente alguns partidos. Faz parte da democracia ouvir todas as propostas e conhecer todas as forças políticas.
Cristiane
avalie fechar
avalie fechar