Mercado e governadores reagiram mal à derrota da CPMF, diz Múcio
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília*
Agência Brasil
O ministro José Múcio Monteiro (Relações Institucionais) disse que o mercado financeiro e os governadores de Estado reagiram mal à derrotada da proposta de prorrogação da CPMF. O plenário do Senado rejeitou ontem a proposta. Com isso, a CPMF deixa de ser cobrada a partir de 1º de janeiro.
"É um momento de aflição. O mercado começa a responder. Os governadores ligaram preocupados nesta manhã. É um dia nervoso", disse ele.
Múcio se referiu à alta do dólar e queda da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo). O dólar comercial foi negociado a R$ 1,783, alta de 0,39%, nas últimas operações desta quinta-feira. A Bovespa acelerou o ritmo de queda no pregão de hoje e fechou com baixa de 2,9%.
Apesar da reação negativa, Múcio negou a intenção do governo de reeditar a CPMF. "Não é pensamento do governo reeditar a CPMF. Por decisão democrática, a CPMF será encerrada no dia 31 de dezembro", afirmou.
Pela manhã, Múcio participou de uma reunião de emergência comandada pela ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) com a equipe econômica para avaliarem os efeitos do fim da CPMF e os cortes na proposta orçamentária.
Governadores
A governadora do Pará, Ana Júlia Carepa (PT), considerou "lamentável" o resultado da votação no Senado que rejeitou prorrogação da CPMF. "O que aconteceu, infelizmente, é que uma parte dos senadores preferiu votar achando que, com isso, estão inviabilizando o governo do presidente Lula. E não votaram pela saúde e pelo Brasil", afirmou.
A governadora disse esperar que os estados, principalmente os mais carentes, nos quais a população é mais dependente do SUS [Sistema Único de Saúde], não fiquem prejudicados.
O governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), disse hoje que é "hora de catar os cacos". "Nesse momento é hora de catarmos os cacos, de sentarmos à mesa novamente e construir um entendimento", respondeu ele ao ser questionado sobre um possível impacto negativo da decisão do Senado para os Estados.
Aécio disse que o importante é procurar uma solução para o financiamento da saúde. Eu "Acho que o ocorrerá agora é o reinício das negociações. Uma ampla negociação pode permitir que o Brasil não sofra problemas maiores na área da saúde. A única preocupação que eu tenho é a falta de investimento na saúde."
Segundo ele, esse entendimento pode ser construído em janeiro --quando o governo deve buscar acordo para aprovar uma nova proposta de Orçamento. "Acho que é possível, a partir de janeiro, termos uma solução definitiva para o financiamento da saúde no Brasil."
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