Líderes de oposição já admitem criação de nova CPMF em 2008
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
A oposição já admite rediscutir a implementação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) depois de ter derrubado a manutenção do "imposto do cheque" no plenário do Senado nesta semana. Nos bastidores, líderes do DEM e do PSDB acenam com a possibilidade de negociar com o governo a recriação da CPMF em 2008, desde que a mudança ocorra no âmbito da reforma tributária a ser enviada ao Congresso.
O senador Heráclito Fortes (DEM-PI) disse que apesar da postura contrária do DEM à CPMF, o partido aceitar negociar o seu retorno --se o governo firmar o compromisso de mudar a sua estrutura. "No formato atual, o próprio presidente Lula não aceita o retorno [da CPMF]. Agora, pode, se colocar um botox e tirar umas gordurinhas", ironizou o democrata.
O senador não considera, porém, que a rediscussão da CPMF seja um "recuo" da oposição --especialmente da bancada do DEM, que desde fevereiro firmou posição contrária à matéria.
"Não é um recuo, vamos manter a nossa bandeira de luta. O mal do governo foi não querer uma relação institucional e partir para o ataque contra a oposição."
Segundo Heráclito, a reforma tributária é um compromisso não cumprido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva desde a sua primeira eleição --por isso deve agora sair do papel. "A raiz da questão é a reforma tributária. Por que o governo não pediu a prorrogação da CPMF por apenas um ano, para depois discutirmos a reforma tributária? Eu sugiro que se vote a reforma nos primeiros três meses do ano que vem", afirmou.
O senador Pedro Simon (PMDB-RS) ironizou o retorno da CPMF depois de sua derrota no plenário do Senado. Mas saiu em defesa do envio da reforma tributária ao Congresso --inclusive com a rediscussão do "imposto do cheque" no âmbito da reforma.
"A CPMF como imposto permanente dentro da reforma tributária, claro que é possível. Mas o retorno da CPMF [isoladamente] é irracional, não dá para entender. Eu acho que morreu, não tem mais o que fazer", disse.
Na opinião do peemedebista, a oposição agiu somente com "emoção" ao derrotar a prorrogação do "imposto do cheque" no plenário. "Pessoas racionais e serenas como o governador José Serra [PSDB-SP] sabem da importância da CPMF."
Simon, que já havia declarado o voto contrário à prorrogação do "imposto do cheque", admitiu que mudou de idéia momentos antes da votação depois que o governo acenou com modificações na estrutura da CPMF --como repassar integralmente seus recursos à saúde e prorrogá-la por somente mais um ano.
"O governo fez um ato de contrição e mudou tudo. Ainda dava tempo de negociar. Aqui no Congresso já fizemos mudanças radicais de última hora", afirmou.
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GUIMARÃES. O povo Brasileiro não aguenta mais.
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