Garibaldi diz que Orçamento deve sacrificar emendas para compensar CPMF
GABRIELA GUERREIRO
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), admitiu nesta sexta-feira que os deputados e senadores poderão sofrer cortes nas emendas parlamentares apresentadas ao Orçamento da União de 2008 para compensar a extinção da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira). Apesar da medida encontrar resistências no Congresso, o peemedebista disse que todos terão que "fazer sacrifícios" para que o governo refaça sua contabilidade.
"Acho que se tivermos, cada um, de dar a sua quota de contribuição, os parlamentares não devem ser excluídos, não. Têm que contribuir também. Todos estão correndo risco de corte. Por que só os parlamentares ficariam isentos? Acho que não", defendeu.
O presidente da comissão de Orçamento, senador José Maranhão (PMDB-PB), e o relator, deputado José Pimentel (PT-CE), afirmaram que até terça-feira será possível mostrar uma radiografia das áreas que deverão ser afetadas pelos ajustes que serão efetuados para compensar a perda de arrecadação de R$ 40 bilhões da CPMF.
Garibaldi reiterou nesta sexta-feira que o Orçamento de 2008 será votado pelo Congresso Nacional somente em fevereiro --depois do Carnaval. "Nós esperamos que seja resolvido logo nos primeiros dois meses [de 2008]. No máximo até o final de março. Quem está esperando ter Orçamento para brincar o Carnaval, não vai ter não", disse Garibaldi.
O senador afirmou ainda que, com o fim da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), até o dia 28 de dezembro a comissão vai receber as propostas de ajustes para os relatórios setoriais do orçamento.
"Ainda não fui informado sobre as alternativas do governo. A providência que o governo solicitou da Comissão de Orçamento foi a de que teria que fazer adequações e isso vai se dar sem que o governo retire o projeto de lei orçamentária do Congresso", afirmou.
Diálogo
O senador sugeriu que oposição e governo busquem o diálogo para que sejam facilitadas as negociações no Senado. Garibaldi indicou estar disposto a participar de um eventual acordo entre senadores aliados do governo e os contrários.
No dia seguinte à derrota do governo com a rejeição da CPMF, o senador destacou que era necessário estabelecer uma nova relação de interlocutores do Palácio do Planalto e o Senado.
Segundo ele, houve falhas na condução das negociações pela aprovação do "imposto do cheque".
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