Brasil
18/12/2007 - 11h18

Henry admite reuniões entre PT e PP, mas nega envolvimento no mensalão

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RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

O deputado Pedro Henry (PP-MT) admitiu nesta terça-feira, em depoimento à Justiça Federal, que houve ajuda do PT ao PP para o pagamento de honorários advocatícios de Paulo Goyas, que defendia o ex-deputado Ronivon Santiago (PP-AC) em 36 processos no TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do Acre.

Henry, no entanto, negou qualquer envolvimento com o escândalo do mensalão, embora tenha reconhecido que participou de reuniões com o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil) e o ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira no Palácio do Planalto.

"Estava tendo uma conversa entre o PT e o PP para pagar um advogado para defender Ronivon Santiago", disse o parlamentar à juíza Maria de Fátima Costa, da 10ª Vara Federal Criminal.

Réu no processo do mensalão, Henry responde pelos crimes de corrupção passiva, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. Ele teria recebido R$ 4,1 milhões do esquema.

Durante o depoimento, o deputado negou conhecer o empresário Marcos Valério e ter contatos com as corretoras Bônus-Banval e Natimar. Mas reafirmou manter relações com petistas, como Dirceu, o deputado José Genoino (PT-SP), Delúbio Soares e Silvio Pereira.

Confusão

Durante o depoimento, a juíza criticou o comportamento do advogado Luiz Francisco Barbosa, que defende o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), autor das denúncias do mensalão.

Ao questionar Henry, o advogado quis saber detalhes de supostas reuniões políticas na casa do deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP), em São Paulo, nas quais o ministro José Múcio Monteiro (Relações Institucionais) teria participado.

Inicialmente, Henry não quis responder à pergunta, mas depois confirmou que houve reuniões para tratar de alianças políticas entre o PT e a base aliada ao governo e que Múcio poderia ter participado de uma delas. "Acredito que ele [Múcio] estava presente."

Para a juíza, Barbosa tentou tumultuar a audiência. "O senhor quer perturbar?", questionou. "É uma opinião judicial que não responde à defesa", disse o advogado.

Ainda nesta terça-feira serão ouvidos os deputados Paulo Rocha (PT-PA) e Valdemar Costa Neto.

Mensalão

O STF acatou a denúncia contra todos os 40 acusados pelo procurador-geral Antonio Fernando de Souza de envolvimento com o mensalão --esquema que financiava parlamentares do PT e da base aliada em troca de apoio político.

Entre os denunciados estão os ex-ministros José Dirceu, Luiz Gushiken (Comunicação do Governo) e Anderson Adauto (Transportes), o empresário Marcos Valério, os deputados João Paulo Cunha e José Genoino, além do ex-deputado Roberto Jefferson.

O ministro Joaquim Barbosa, relator do caso, autorizou juízes federais de oito Estados e do Distrito Federal a interrogar e receber a defesa prévia dos réus no processo.

Comentários dos leitores
J. Pimentel (66) 22/11/2009 11h21
J. Pimentel (66) 22/11/2009 11h21
Aos poucos estão desqualificando os crimes cometidos no emblemático caso do Mensalão. O mensalão "oficialmente" é uma contribuição mensal para que os deputados votassem com o governo. Na prática foi a forma de reeembolsar os deputados para cobrir seus compromissos de campanha. Esse dinheiro saiu de um CAIXA DOIS, ou seja, fora da contabilidade oficial, do mesmo caixa que financiou grande parte das campanhas, não só do PT. O Operador pricipal foi Marcos Valério, através de suas agências de propaganda, mas não foi o único com certeza, porque a movimentação financeira é muito alta para ficar concentrada apenas nas agências denunciadas. São dois crimes, na verdade, que já ficou em apenas um e, depois de tanto tempo já se pode colocar este caso no rol de impunidades que assola a dignidade do país. Com o apoio popular que tem, Lula tem assegurado essa impunidade, inclusive negando o inegável, fingindo desconhecer o esquema que não foi criado por ele, mas é uma prática tradicional da politica brasileira. A descaração do PT e seus aliados, que continuam dando as cartas no partido e na politica brasileira, é apenas um desses atos vergonhosos com os quais os brasileiros se acostumaram e, pelo apoio que teem dado ao atual governo, também apoiam essa "maracutaia", termo consagrado na língua portuguesa pelo próprio presidente Lula. É bom que se esclareça que não foi o PT quem criou essas práticas. A decepção é que acreditavamos que o PT fosse acabar com elas e não utilizá-las também. sem opinião
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Santos Júnior (299) 22/11/2009 11h07
Santos Júnior (299) 22/11/2009 11h07
Sr Pacificador, o sr Luiz Inácio não arrisca fala essas mentiras para pessoas como nós e sim para os seus bolsistas que trocam o voto por esmolas, portanto, não se espante quando o vosso presidente sair por ai parafraseando bizarrices!! 1 opinião
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Manoel Brito (2) 22/11/2009 11h03
Manoel Brito (2) 22/11/2009 11h03
Excelentissimo Ministro Joaquim, Nós Brasileiros Agreditamos na sua Transparência, e Competência , estamos ao seu lado.
Manoel de Brito Oliveira
Ilha Solteira-SP
sem opinião
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