Brasil
18/12/2007 - 12h57

Governistas descartam anúncio imediato de pacote para compensar perdas da CPMF

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

Líderes governistas afirmaram nesta terça-feira não acreditar no anúncio imediato de um pacote de medidas na área econômica para compensar as perdas com o fim da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira). Como o Orçamento da União de 2008 será analisado pelo Congresso somente em fevereiro, os aliados apostam que até lá o governo vai construir soluções compensatórias para o fim do "imposto do cheque".

"O ministro Guido Mantega [Fazenda] está analisando cenários e levantando alternativas. Qualquer medida será tomada sem açodamento. Não há nenhum tipo de ação emergencial sendo feita na correria", disse o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).

O senador afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende apresentar, neste momento, apenas cenários de medidas que poderão ser implementadas pelo governo nos próximos dias. Jucá assegurou, no entanto, que todas as ações vão ser discutidas tanto com os líderes aliados quanto com os da oposição. "Qualquer medida virá para o Congresso", afirmou.

A Folha Online apurou que o governo não pretende anunciar o pacote de medidas antes da votação da DRU (Desvinculações das Receitas da União), que deve ocorrer nesta quarta-feira. A oposição ameaça impedir a votação se o governo insistir no discurso do aumento de impostos ou o retorno da CPMF em 2008 para compensar sua extinção.

Jucá disse não acreditar em retaliações da oposição para atrasar a votação da DRU, pois considera que o DEM e PSDB vêm recebendo um tratamento "respeitoso" no Senado. A oposição promete quebrar o interstício (prazo de cinco dias entre a votação em primeiro e segundo turno) da DRU se o governo não interromper as ameaças para compensar o fim da CPMF, o que adiaria a votação para 2008.

"A quebra do interstício fica vinculada a um comportamento diferente do governo. O mundo não acabou com o fim da CPMF. O governo deve adotar postura de honestidade. Dá para votar esta semana [a DRU] se o governo adotar um discurso verdadeiro, não a falácia de que vai acabar o pai sem a CPMF", disse o senador Álvaro Dias (PSDB-PR).

Para o líder do PSB no Senado, Renato Casagrande (ES), o governo vai ter calma para analisar o que fazer neste momento para compensar o fim da CPMF. "Vamos tomar medidas com o apoio da oposição. Não tem chance do governo tomar uma decisão unilateral. Tem que ter calma para negociar. O governo não está pronto para apresentar essas medidas. O presidente está contando até dez antes de propor qualquer aumento de tributo", afirmou.

Convocação

Casagrande disse que, se a oposição não permitir a votação da DRU esta semana, poderá haver convocação extraordinária do Congresso entre o Natal e o Ano Novo para assegurar a aprovação da matéria --uma vez que a DRU autoriza o governo a gastar livremente 20% das receitas vinculadas, aquelas com destinação obrigatória.

"Se não der para votar nesta semana, votamos na semana que vem com a convocação do Senado. A DRU é um remédio amargo, mas sem a CPMF é necessária para termos flexibilidade", disse o líder.

Comentários dos leitores
T. Morimoto (235) 24/09/2008 00h00
T. Morimoto (235) 24/09/2008 00h00
À folha Online e ao UOL: Peço obséquio de colocar novamente em destaque, pra discussão, o famigerado CSS/CPMF. Estão esquecendo disso!!! As eleições só interessam pra políticos, pois seja quais forem os eleitos, tudo vai continuar como antes. Nem adianta discutir política, porque, "SEMPRE CADA POVO TERÁ O GOVERNO QUE MERECE". Mas, tributos, seja a que título for, interessa sim, a todos consumidores finais (todos nós), porque virão embutidos nos preços finais de tudo. Os ricos, nem vão se importar em pagar isso, mas os pobres sofrerão, pois pagarão os mesmos preços que os ricos (consumidores finais). sem opinião
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Cícero Ferreira (5) 13/09/2008 23h06
Cícero Ferreira (5) 13/09/2008 23h06
Esse caso de invasão de privacidade no STF NÃO SERIA um desvio do foco da prisão e do HABEAS CORPUS dado ao Sr Daniel Dantas? Acho que até a imprensa caiu no conto do vigário: lamentável. sem opinião
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Cícero Ferreira (5) 12/08/2008 18h08
Cícero Ferreira (5) 12/08/2008 18h08
Houve uma luta tão grande pela democracia: derramamento de sangue, apelos â imprensa,etc. Muitos que foram exilados ou posso dizer, todos, retornaram ao País com o fim da ditadura, assumiram o governo e praticaram uma verdadeira carnificina. Quantos inocentes morreram na miséria, na pobreza, principalmente, antes do governo LULA, ou seja, desde 1988 até o governo de Fernando Henrique Cardoso. Vejam, todos que se diziam democráticos, se utilizaram desse nome para se envolver em corrupções, máfia, milícias, etc, ou seja, além de usar de manhas e artimanhas para se elegerem, se utilizam de barganhas para se beneficiarem diante pessoas inocentes, ignorantes, sem conhecimento de causa. Existem um verdadeiro "MAR DE LAMA", infelizmente, nos tres poderes, porquanto esse alicerce foi abalado pela invasão de corruptores e corruptos que pouco estão se importando o q a imprensa irá divulgar, na certeza da impunidade para os de grande poder aquisitivo. Onde está o princípio da igualdade? Vejam, hoje, a violência aumentou assustadoramente. Tem gente morrendo como morre um inseto. O ser humano perdeu o seu devido valor. Façam uma enquete sobre o percentual de simpatizantes querendo a volta do antigo regime e tire suas conclusões. Assessores do Daniel Dantas disse na gravação q o problema não está no STJ ou no STF, mas sim, na 1ª instância. A quem podemos apelar? A quem podemos confiar? Creio q o Poder Judiciário já foi abalado, perdeu sua credibilidade. Fica aí a minha indignação. Obrigado 13 opiniões
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