Lula descarta pacote econômico e diz que não perdeu "nem meio minuto de sono"
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva descartou nesta quinta-feira o lançamento de um pacote econômico para compensar a perda de R$ 40 bilhões com o fim da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira). Em café da manhã de final de ano com os jornalistas, Lula disse que vai discutir somente em 2008 as medidas compensatórias à CPMF --mas adiantou que tem "ojeriza" à palavra "pacote".
"Eu falei com os meus ministros que eu não quero ouvir a palavra pacote. Prefiro comprar de unidade em unidade. O Brasil já foi vítima na história de muitos pacotes que não deram certo", afirmou.
Segundo o presidente, somente em janeiro a equipe econômica vai definir o que fazer para compensar a perda da CPMF. Lula admitiu, porém, que até lá "medidas administrativas emergenciais" poderão ser implementadas pelo governo --que começará 2008 sem a arrecadação do "imposto do cheque".
O presidente disse, porém, que não vai reagir no "impulso" à decisão tomada pelo Senado. "Não se toma decisão com febre alta. Nenhuma medida é certa quando é feita com vingança. Eu não sou zen, mas isso [a derrota da CPMF] não me preocupou", garantiu.
Lula disse que não perdeu "nem meio minuto de sono" ao ser informado sobre a derrota da CPMF. Depois de ser questionado sobre as medidas que serão anunciadas pela equipe econômica, ele disse que só vai pensar nisso no ano que vem. "Agora, eu só penso no Natal e no Ano Novo."
O presidente disse que foi sua a determinação para que os lideres governistas no Senado colocassem em votação a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) da CPMF na semana passada no plenário do Senado, mesmo sem os 49 votos necessários para garantir a aprovação da matéria. "Eu falei: vota logo isso para virarmos essa página."
Recado
Num recado indireto ao PSDB --que teria rompido um acordo com o governo para aprovar a CPMF minutos antes da votação--, Lula disse que as negociações foram prejudicadas pela corrida presidencial de 2010. "Alguns acharam que o presidente ia ficar muito forte e fazer o sucessor em 2010. Eu acho isso uma pobreza de espírito. Isso me dá pena."
Segundo o presidente, "aqueles que torceram para que o país dê errado vão ter que a amargar o dissabor das coisas estarem acontecendo", mesmo após a derrota da CPMF.
Lula admitiu que, dos 53 senadores da base aliada do governo no Senado, apenas 45 votam seguindo as orientações do Executivo. "Com esse número, dá para aprovar tudo menos as PECs. Sabemos quem está com a gente e quem não está", afirmou. Na votação da CPMF, seis governistas votaram com a oposição para derrubar a CPMF no plenário do Senado.
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