Brasil
20/12/2007 - 12h01

Lula descarta pacote econômico e diz que não perdeu "nem meio minuto de sono"

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva descartou nesta quinta-feira o lançamento de um pacote econômico para compensar a perda de R$ 40 bilhões com o fim da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira). Em café da manhã de final de ano com os jornalistas, Lula disse que vai discutir somente em 2008 as medidas compensatórias à CPMF --mas adiantou que tem "ojeriza" à palavra "pacote".

"Eu falei com os meus ministros que eu não quero ouvir a palavra pacote. Prefiro comprar de unidade em unidade. O Brasil já foi vítima na história de muitos pacotes que não deram certo", afirmou.

Segundo o presidente, somente em janeiro a equipe econômica vai definir o que fazer para compensar a perda da CPMF. Lula admitiu, porém, que até lá "medidas administrativas emergenciais" poderão ser implementadas pelo governo --que começará 2008 sem a arrecadação do "imposto do cheque".

O presidente disse, porém, que não vai reagir no "impulso" à decisão tomada pelo Senado. "Não se toma decisão com febre alta. Nenhuma medida é certa quando é feita com vingança. Eu não sou zen, mas isso [a derrota da CPMF] não me preocupou", garantiu.

Lula disse que não perdeu "nem meio minuto de sono" ao ser informado sobre a derrota da CPMF. Depois de ser questionado sobre as medidas que serão anunciadas pela equipe econômica, ele disse que só vai pensar nisso no ano que vem. "Agora, eu só penso no Natal e no Ano Novo."

O presidente disse que foi sua a determinação para que os lideres governistas no Senado colocassem em votação a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) da CPMF na semana passada no plenário do Senado, mesmo sem os 49 votos necessários para garantir a aprovação da matéria. "Eu falei: vota logo isso para virarmos essa página."

Recado

Num recado indireto ao PSDB --que teria rompido um acordo com o governo para aprovar a CPMF minutos antes da votação--, Lula disse que as negociações foram prejudicadas pela corrida presidencial de 2010. "Alguns acharam que o presidente ia ficar muito forte e fazer o sucessor em 2010. Eu acho isso uma pobreza de espírito. Isso me dá pena."

Segundo o presidente, "aqueles que torceram para que o país dê errado vão ter que a amargar o dissabor das coisas estarem acontecendo", mesmo após a derrota da CPMF.

Lula admitiu que, dos 53 senadores da base aliada do governo no Senado, apenas 45 votam seguindo as orientações do Executivo. "Com esse número, dá para aprovar tudo menos as PECs. Sabemos quem está com a gente e quem não está", afirmou. Na votação da CPMF, seis governistas votaram com a oposição para derrubar a CPMF no plenário do Senado.

Comentários dos leitores
Cícero Ferreira (4) 12/08/2008 18h08
Cícero Ferreira (4) 12/08/2008 18h08
Houve uma luta tão grande pela democracia: derramamento de sangue, apelos â imprensa,etc. Muitos que foram exilados ou posso dizer, todos, retornaram ao País com o fim da ditadura, assumiram o governo e praticaram uma verdadeira carnificina. Quantos inocentes morreram na miséria, na pobreza, principalmente, antes do governo LULA, ou seja, desde 1988 até o governo de Fernando Henrique Cardoso. Vejam, todos que se diziam democráticos, se utilizaram desse nome para se envolver em corrupções, máfia, milícias, etc, ou seja, além de usar de manhas e artimanhas para se elegerem, se utilizam de barganhas para se beneficiarem diante pessoas inocentes, ignorantes, sem conhecimento de causa. Existem um verdadeiro "MAR DE LAMA", infelizmente, nos tres poderes, porquanto esse alicerce foi abalado pela invasão de corruptores e corruptos que pouco estão se importando o q a imprensa irá divulgar, na certeza da impunidade para os de grande poder aquisitivo. Onde está o princípio da igualdade? Vejam, hoje, a violência aumentou assustadoramente. Tem gente morrendo como morre um inseto. O ser humano perdeu o seu devido valor. Façam uma enquete sobre o percentual de simpatizantes querendo a volta do antigo regime e tire suas conclusões. Assessores do Daniel Dantas disse na gravação q o problema não está no STJ ou no STF, mas sim, na 1ª instância. A quem podemos apelar? A quem podemos confiar? Creio q o Poder Judiciário já foi abalado, perdeu sua credibilidade. Fica aí a minha indignação. Obrigado sem opinião
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SAO PAULO / SP
Caros,
Solicito a ampliação da matéria sobre os vice-prefeitos da cidade, incluindo TODOS os partidos que participam das eleições e não somente alguns partidos. Faz parte da democracia ouvir todas as propostas e conhecer todas as forças políticas.
Cristiane
sem opinião
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Cícero Ferreira (4) 18/07/2008 19h20
Cícero Ferreira (4) 18/07/2008 19h20
A maior injustiça é a desigualdade de tratamento as pessoas que cometem crimes, pois não existe seriedade quando se trata de punição a pessoas com poder aquisitivo alto, porquanto a lei é prevista para todo mundo independente de status social, mas o que se tem visto é um verdadeiro mar de lama em todos os segmentos no que diz respeito aos três poderes. Infelizmente existem semi-deuses da terra que não são imparciais nas suas decisões. Apelam para o lado pessoal e que muitas pessoas são execradas e rechaçadas por uma sociedade corrupta e podre e como já dizia, na década de 40, o Presidente Francês De Gaulle:"O brasil não é um País sério". Será que ele tinha razão? 13 opiniões
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