Lula defende Evo Morales e diz que ele é "vítima de muito preconceito"
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
Após o acordo com a Bolívia para o retorno dos investimentos da Petrobras no país, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu nesta quinta-feira em defesa do colega Evo Morales. Lula disse que o presidente boliviano é "vítima de muito preconceito", mas será reconhecido se implementar políticas que favoreçam a população do país vizinho.
"Quando o Evo era deputado, não podia andar na rua porque era cuspido pelos brancos. Um país onde 90% [da população] é índio, não pode ter um governante de olho verde que fala inglês", disse Lula. Segundo o presidente, se as políticas sociais de Morales derem certo "até alguns de classe média vão aderir ao governo".
Lula admitiu que o acordo com Morales para a retomada de investimentos no país não foi fácil. "Eu disse para o Evo que ia ser muito ruim para as relações Bolívia e Brasil, para mim e para você, não ter acordo", afirmou.
A reaproximação entre a Petrobras e a Bolívia ocorreu um ano e sete meses após desacertos que começaram com o anúncio da nacionalização das reservas de gás no país vizinho, em maio de 2006. No auge da crise, instalações da Petrobras foram ocupadas por tropas do Exército boliviano. A estatal ameaçou não investir mais no país.
Chávez
Além dos elogios a Morales, Lula também saiu em defesa do presidente Hugo Chávez (Venezuela). Segundo o presidente brasileiro, "é muito fácil" negociar com Chávez porque o venezuelano tem "vontade política" muito grande em relação à América do Sul. "O problema é que muitas vezes [a Venezuela] vai na plutocracia [sistema político em que o poder é exercido pelos mais ricos] dos poderes", afirmou.
O presidente disse estar otimista com o crescimento do Mercosul ao afirmar que o último encontro dos presidentes do bloco --ocorrido no início desta semana-- foi a "melhor dos últimos tempos". "A gente não vai deixar os outros colocarem defeito nos nossos filhos. Pode [o Mercosul] não ser a criança mais bonita, mas é nossa", defendeu.
Imprevisto
Lula admitiu que ficou "com muito medo" quando o ministro Tarso Genro (Justiça) teve um mal-estar na Bolívia, durante cerimônia com a presença de Morales.
O presidente disse que, no momento em que Tarso desmaiou, pensou que o ministro tivesse morrido. Por isso, confessou que dormiu com a porta do quarto aberta e as luzes acesas no hotel em que estava hospedado --uma vez que é comum estrangeiros sentirem mal-estar provocado pela altitude boliviana.
Tarso desmaiou no ato de relançamento de um corredor interoceânico comandado por Lula e Morales. Ao retornar ao Brasil, Tarso fez exames cardiológicos e de rotina para checar sua saúde.
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