Lula se diz "nem preocupado nem nervoso" com fim da CPMF
YGOR SALLES
da Folha Online
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse não estar "nem nervoso nem preocupado" com o fim do CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), determinado há duas semanas pelo Senado.
"Não fiquei nem preocupado nem nervoso com a CPMF", disse após participar de evento de catadores de rua em São Paulo. "Afinal, não fui eu quem criou a CPMF."
Lula disse que reagiu com naturalidade à derrubada do tributo no Congresso. "Temos que encarar como uma prática democrática", disse. Mas, agora, ele também coloca nas costas dos senadores e deputados como resolver a pendência.
Sobre como isso será refletido no Orçamento de 2008, o presidente disse ser necessário um "ajuste nas contas" --mas sem mexer nos gastos sociais. "Não haverá um centavo sequer de corte nos programas sociais e no PAC [Programa de Aceleração do Crescimento]", disse.
Lula também colocou a responsabilidade no Legislativo de colocar em andamento a reforma política. "Estou convencido que a reforma política tem que partir do Congresso, e portanto também dos partidos políticos", afirmou, acrescentando que deve aprimorar a reforma tributária e a política industrial para colocar em votação em 2008.
Apoio
Lula veio a São Paulo para participar da confraternização anual dos catadores, que foi realizado na Casa de Oração do Povo da Rua, no bairro da Luz (centro).
A entidade é coordenada pelo padre Júlio Lancelotti, que desde agosto --quando denunciou ter sido extorquido pelo ex-interno da antiga Febem (atual Fundação Casa) Anderson Batista, 25-- evita fazer aparições em público.
Após sua detenção, Batista disse que Lancelotti lhe dava dinheiro por vontade própria e que os dois tinham um relacionamento, mas voltou atrás em novo depoimento.
A Polícia Civil concluiu o caso de extorsão e indiciou as quatro pessoas presas sob acusação de envolvimento no crime. O outro inquérito, que apura uma denúncia corrupção de menor contra o padre, ainda não foi concluído.
Esta foi a quinta vez que Lula participa da confraternização, o que foi bastante lembrado ao longo do evento. Ao participar neste ano e garantir a ida também em 2008, o presidente garantiu seu apoio a Júlio Lancelotti nesta fase conturbada de sua vida.
Mas o próprio padre preferiu, em seu discurso, minimizar a importância da sua relação com Lula para a ida do presidente à confraternização. "Lula veio aqui porque é amigo do povo da rua, porque é amigo dos catadores de material reciclado, porque é comprometivo com o povo e com os pobres", disse.
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