Saiba mais sobre d. Aloísio Lorscheider
da Folha Online
da Agência Folha
da Folha de S.Paulo
Nascido em uma família alemã na cidade de Estrela (RS), d. Aloísio Lorscheider, arcebispo emérito de Aparecida (SP), esteve à frente do movimento das Comunidades Eclesiais de Base, que começaram a ser criadas no início dos anos 60.
Ele foi presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) entre 1971 e 1979. Antes, entre 1968 e 1971, foi secretário-geral da entidade.
Sua atuação pastoral foi marcada pelas críticas contra o regime militar. Em entrevista à Folha, em 2005, d. Aloísio afirmou que sabia que era perseguido pelos militares, por "defender quem julgava que deveria defender".
| Divulgação |
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| Atuação de d. Aloísio Lorscheider foi marcada pelas críticas contra o regime militar |
Além das críticas à ditadura, outra marca da intervenção pastoral de d. Aloísio foi a ampliação da participação do laicato para fortalecer a igreja.
Nascido em 8 de outubro de 1924, d. Aloísio foi ordenado sacerdote em 1948, em Divinópolis (MG). A ordenação como bispo só aconteceu em 1962
O religioso também foi presidente do Celam (Conselho Episcopal Latino Americano) entre 1976 e 1979.
D. Aloísio foi nomeado cardeal-arcebispo de Fortaleza (CE) em 1973. Em 1995, com problemas cardíacos, ele solicitou ao papa João Paulo 2º sua transferência para uma diocese menor. Foi atendido e transferido para Aparecida.
Em 2000, com, 76 anos, d. Aloísio anunciou sua renúncia. Pelas regras da Igreja Católica, ele foi obrigado a renunciar ao cargo por ter passado dos 75 anos. "Agora, só estou aguardando a chegada do meu sucessor", disse ele na época.
Na ocasião, ele afirmou que se fosse por vontade própria continuaria em Aparecida. "Mas não sou eu quem decide isso", disse.
No dia 28 de janeiro de 2004, ele recebeu a notícia da aceitação de sua renúncia. No dia 25 de março de 2004 entregou a Arquidiocese de Aparecida para d. Raymundo Damasceno Assis. Em seguida, retornou para o Convento dos Franciscanos, em Porto Alegre (RS), onde passou seus últimos dias.
Problemas médicos
Em setembro de 1997, d. Aloísio foi operado no hospital Sírio Libanês, em São Paulo, para a extração de um nódulo no pulmão. Na época, o exame realizado no tumor revelou que o religioso estava com câncer.
Desde então, ele sua saúde foi piorando. Só neste ano ele foi internado quatro vezes no hospital São Francisco, em Porto Alegre (RS). A última ocorreu no dia 28 de novembro.
Seu estado de saúde piorou e foi considerado grave no último dia 11, quando sofreu um AVC (Acidente Vascular Cerebral). Ele morreu neste domingo em função do falecimento de múltiplos órgãos.
Refém de presos
Outro episódio marcante ocorreu em 15 de março de 1994, quando d. Aloísio foi feito refém durante uma rebelião contra as condições carcerárias dos presos do Instituto Penal Paulo Sarasate (CE). De acordo com reportagem da Folha, d. Aloísio pediu aos presos que fosse o último a ser libertado.
A reportagem informa ainda que d. Aloísio negociou a libertação dos demais reféns e o fim do motim. No dia seguinte, ele disse que sua vontade de ajudar os presos havia aumentado. "Para mim, aumentou o amor por essa gente, e a necessidade de dedicar-me mais ainda aos presidiários, que são os excluídos da sociedade."
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