Brasil
23/12/2007 - 12h05

Saiba mais sobre d. Aloísio Lorscheider

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da Folha Online
da Agência Folha
da Folha de S.Paulo

Nascido em uma família alemã na cidade de Estrela (RS), d. Aloísio Lorscheider, arcebispo emérito de Aparecida (SP), esteve à frente do movimento das Comunidades Eclesiais de Base, que começaram a ser criadas no início dos anos 60.

Ele foi presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) entre 1971 e 1979. Antes, entre 1968 e 1971, foi secretário-geral da entidade.

Sua atuação pastoral foi marcada pelas críticas contra o regime militar. Em entrevista à Folha, em 2005, d. Aloísio afirmou que sabia que era perseguido pelos militares, por "defender quem julgava que deveria defender".

Divulgação
Atuação de d. Aloísio Lorscheider foi marcada pelas críticas contra o regime militar
Atuação de d. Aloísio Lorscheider foi marcada pelas críticas contra o regime militar

Além das críticas à ditadura, outra marca da intervenção pastoral de d. Aloísio foi a ampliação da participação do laicato para fortalecer a igreja.

Nascido em 8 de outubro de 1924, d. Aloísio foi ordenado sacerdote em 1948, em Divinópolis (MG). A ordenação como bispo só aconteceu em 1962

O religioso também foi presidente do Celam (Conselho Episcopal Latino Americano) entre 1976 e 1979.

D. Aloísio foi nomeado cardeal-arcebispo de Fortaleza (CE) em 1973. Em 1995, com problemas cardíacos, ele solicitou ao papa João Paulo 2º sua transferência para uma diocese menor. Foi atendido e transferido para Aparecida.

Em 2000, com, 76 anos, d. Aloísio anunciou sua renúncia. Pelas regras da Igreja Católica, ele foi obrigado a renunciar ao cargo por ter passado dos 75 anos. "Agora, só estou aguardando a chegada do meu sucessor", disse ele na época.

Na ocasião, ele afirmou que se fosse por vontade própria continuaria em Aparecida. "Mas não sou eu quem decide isso", disse.

No dia 28 de janeiro de 2004, ele recebeu a notícia da aceitação de sua renúncia. No dia 25 de março de 2004 entregou a Arquidiocese de Aparecida para d. Raymundo Damasceno Assis. Em seguida, retornou para o Convento dos Franciscanos, em Porto Alegre (RS), onde passou seus últimos dias.

Problemas médicos

Em setembro de 1997, d. Aloísio foi operado no hospital Sírio Libanês, em São Paulo, para a extração de um nódulo no pulmão. Na época, o exame realizado no tumor revelou que o religioso estava com câncer.

Desde então, ele sua saúde foi piorando. Só neste ano ele foi internado quatro vezes no hospital São Francisco, em Porto Alegre (RS). A última ocorreu no dia 28 de novembro.

Seu estado de saúde piorou e foi considerado grave no último dia 11, quando sofreu um AVC (Acidente Vascular Cerebral). Ele morreu neste domingo em função do falecimento de múltiplos órgãos.

Refém de presos

Outro episódio marcante ocorreu em 15 de março de 1994, quando d. Aloísio foi feito refém durante uma rebelião contra as condições carcerárias dos presos do Instituto Penal Paulo Sarasate (CE). De acordo com reportagem da Folha, d. Aloísio pediu aos presos que fosse o último a ser libertado.

A reportagem informa ainda que d. Aloísio negociou a libertação dos demais reféns e o fim do motim. No dia seguinte, ele disse que sua vontade de ajudar os presos havia aumentado. "Para mim, aumentou o amor por essa gente, e a necessidade de dedicar-me mais ainda aos presidiários, que são os excluídos da sociedade."

Comentários dos leitores
Antonio Fouto Dias (2079) 27/12/2007 19h57
Antonio Fouto Dias (2079) 27/12/2007 19h57
Dom Aloisio foi um servo de Deus que cumpriu muito bem sua missão entre nós. Esteve presente em momentos marcantes nas dioceses em que atuou e não se omitiu aos problemas que se apresentavam. Foi um exímio defensor das classes mais necessitadas e cumpriu muito bem o seu papel enquanto permaneceu conosco. Que Deus em sua infinita misericórdia lhe prepare, junto dele, uma boa morada, de onde possa estar velando por todos nós. 1 opinião
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Inês Almeida (2) 25/12/2007 15h21
Inês Almeida (2) 25/12/2007 15h21
FORTALEZA / CE
O Brasil e o meio religioso não perderam um grande missionário. Ele continuará sua missão junto a nós, lá onde está! sem opinião
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Inês Almeida (2) 25/12/2007 15h19
Inês Almeida (2) 25/12/2007 15h19
FORTALEZA / CE
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