Aos 83, morre d. Aloísio Lorscheider no RS; corpo será velado por dois dias
da Folha Online
Morreu às 5h20 deste domingo o cardeal d. Aloísio Lorscheider, 83, arcebispo emérito de Aparecida (167 km a nordeste de São Paulo) e ex-presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). De acordo com boletim do hospital São Francisco, ele morreu em função de falência múltipla dos órgãos.
Ele estava internado no hospital desde 28 de novembro. Seu estado de saúde piorou e foi considerado grave no último dia 11, quando sofreu um derrame e entrou em coma profundo.
| Divulgação |
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| Atuação de d. Aloísio Lorscheider foi marcada pelas críticas contra o regime militar |
De acordo com a Província Franciscana São Francisco de Assis do Rio Grande do Sul, o corpo de d. Aloísio será embalsamado e deverá ser velado por dois dias na catedral de Porto Alegre. O corpo será enterrado no cemitério dos Franciscanos de Daltro Filho, em Imigrante (RS). O dia e o horário do sepultamento ainda não foram definidos.
Sua atuação pastoral foi marcada pelas críticas contra o regime militar. Em entrevista à Folha, em 2005, d. Aloísio afirmou que sabia que era perseguido pelos militares, por "defender quem julgava que deveria defender".
Nascido em uma família alemã na cidade de Estrela (RS) em 8 de outubro de 1924, d. Aloísio foi ordenado sacerdote em 1948, em Divinópolis (MG). A ordenação como bispo só aconteceu em 1962
Ele foi presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) entre 1971 e 1979. Antes, entre 1968 e 1971, foi secretário-geral da entidade.
O religioso também foi presidente do Celam (Conselho Episcopal Latino Americano) entre 1976 e 1979.
D. Aloísio foi nomeado cardeal-arcebispo de Fortaleza (CE) em 1973. Em 1995, com problemas cardíacos, ele solicitou ao papa João Paulo 2º sua transferência para uma diocese menor. Foi atendido e transferido para Aparecida.
Em 2000, com, 76 anos, d. Aloísio anunciou sua renúncia. Pelas regras da Igreja Católica, ele foi obrigado a renunciar ao cargo por ter passado dos 75 anos.
Na ocasião, ele afirmou que se fosse por vontade própria continuaria em Aparecida. "Mas não sou eu quem decide isso", disse.
No dia 28 de janeiro de 2004, ele recebeu a notícia da aceitação de sua renúncia. No dia 25 de março de 2004 entregou a Arquidiocese de Aparecida para d. Raymundo Damasceno Assis. Em seguida, retornou para o Convento dos Franciscanos, em Porto Alegre (RS), onde passou seus últimos dias.
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