Garcia apóia posição do governo de analisar pedido de investigação da Operação Condor
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
O assessor especial para assuntos internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, apoiou nesta quinta-feira a decisão do governo de analisar um pedido de abertura de inquérito sobre os militares brasileiros acusados de participar da Operação Condor, caso a Justiça italiana faça a solicitação.
Ao ser questionado sobre a possibilidade de o ministro Tarso Genro (Justiça) pedir à Procuradoria-Geral da República a abertura de processos contra brasileiros investigados na Operação Condor --que reprimiu supostos opositores aos regimes militares de sete países da América do Sul--, Garcia elogiou a iniciativa.
"Eu acho que o que o ministro Tarso propôs é uma boa solução", disse Garcia, antes de embarcar para Caracas (Venezuela), onde integra a missão de libertação de reféns das Farcs (Forças Armadas Revolucionárias Colombianas).
Reportagem publicada hoje na Folha informa que, se houver o pedido de investigação, Tarso analisará o caso e encaminhará despacho ao STF (Supremo Tribunal Federal).
Garcia evitou entrar em uma eventual polêmica sobre a não-extradição de brasileiros investigados na Itália. "O governo brasileiro tem leis. Aqui, vivemos em um Estado democrático de Direito", afirmou ele. "O ministro Tarso anunciou seu ponto de vista e saberá compatibilizar o respeito à lei com o respeito aos direitos humanos."
Na segunda-feira, a Justiça italiana expediu um mandado de prisão contra 140 pessoas --incluindo 11 brasileiros, segundo disse à BBC Brasil o procurador italiano Giancarlo Capaldo.
Os brasileiros foram denunciados pelo desaparecimento de dois ítalo-argentinos em território brasileiro: Lorenzo Ismael Viñas (26 de junho de 1980) e Horacio Campiglia (12 de março de 1980).
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