Brasil
28/12/2007 - 10h06

Procurador italiano critica omissão de países da Condor

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da Folha Online

O procurador italiano Giancarlo Capaldo quer a colaboração do Brasil para o julgamento, na Itália, dos brasileiros que tiveram o pedido de extradição decretado por crimes da ditadura, segundo reportagem da Folha desta sexta-feira (íntegra do texto exclusiva para assinantes do jornal e do UOL).

Capaldo investiga desde 1999 a tortura e o desaparecimento de cidadãos italianos na Operação Condor --plano de repressão conjunta de ditaduras sul-americanas contra opositores nos anos 70 e 80. Ele foi o autor dos pedidos de prisão expedidos na segunda-feira, em Roma, pela juíza Luisanna Figliola.

Em entrevista ao correspondente da Folha em Genebra, Marcelo Ninio, Capaldo confirmou que entre os 140 acusados citados no pedido de extradição há 11 brasileiros. Mas disse que não poderia revelar os nomes.

Ainda que a Constituição não preveja a extradição de cidadãos brasileiros, como deixou claro o ministro da Justiça, Tarso Genro, Capaldo reiterou que o objetivo do pedido de prisão é interrogar e julgar na Itália os responsáveis pela Operação Condor. Ou, no mínimo, fazer com que sejam processados no Brasil.

Diplomatas dos dois países esperam que o pedido de prisão seja feito pelo Ministério da Justiça italiano a seu equivalente no Brasil. Mas, até ontem, a Embaixada do Brasil em Roma não recebeu nenhuma notificação das autoridades italianas.

Os brasileiros foram denunciados pelo desaparecimento de dois ítalo-argentinos em território brasileiro: Lorenzo Ismael Viñas (26 de junho de 1980) e Horacio Campiglia (12 de março de 1980).

Segundo informou ontem a Folha, Tarso afirmou que, se houver o pedido de investigação pela Justiça italiana, o caso será analisado e encaminhado ao STF (Supremo Tribunal Federal). Também ontem, o assessor especial para assuntos internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, apoiou a decisão do governo de analisar um pedido de abertura de inquérito.

 

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