Governo suspende novos concursos até equilíbrio das contas, diz Bernardo
ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília
O governo federal irá suspender a realização de novos concursos para contratações de servidores públicos até que esteja seguro em relação à manutenção do equilíbrio das contas públicas. O Planalto anunciou ontem que pretende reduzir seus gastos em R$ 20 bilhões para compensar parte das perdas causadas pelo fim da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) --que deveria arrecadar cerca de R$ 40 bilhões só neste ano.
"A nossa decisão é segurar [a realização de novos concursos] até o momento em que tivermos reequilibrado as contas", afirmou o ministro Paulo Bernardo (Planejamento).
O minipacote de medidas compensatórias também prevê o aumento das alíquotas do IOF (Imposto sobre Operação Financeiro) e CSLL (Contribuição Social sobre Lucro Líquido).
Segundo o ministro, os concursos já autorizados serão feitos. "Os concursos autorizados estão mantidos. Os novos não serão publicados enquanto não reequilibrarmos o Orçamento."
Além da contratação de novos servidores públicos, os reajustes também serão afetados. É por essa razão que Bernardo voltou a defender a aprovação do projeto de lei que limita a 1,5% de aumento real para a folha de salários de todos os poderes da União.
"Continuo defendendo firmemente para fazer essa votação. Seria importante em um momento como esse."
Ministério da Justiça
O ministro da Justiça, Tarso Genro, disse hoje que não recebeu nenhuma informação sobre cortes em sua pasta. Ele afirmou ainda que será realizado no primeiro semestre deste ano um concurso público para a contratação de 3.000 policiais rodoviários federais.
"Creio que nós não teremos cortes. Nós temos de incorporar mais 3.000 policiais e quero fazer isso ainda este ano. Isto se Deus permitir e o Paulo Bernardo [Planejamento] concordar", disse o ministro.
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