Brasil
05/01/2008 - 09h39

Oposição considera acusação de Dirceu gravíssima e quer apurar suposto caixa 2

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da Folha de S.Paulo, em Brasília

Líderes da oposição classificaram a entrevista do ex-ministro José Dirceu à revista "Piauí" como "gravíssima" e afirmaram ontem que estudam mecanismos para promover a investigação da suposta existência de caixa dois petista no Rio Grande do Sul.

A avaliação é que as suspeitas não podem "ficar no ar" e, por isso, a oposição vai pedir às assessorias jurídicas que acompanhem os desdobramentos da acusação na Assembléia Legislativa gaúcha e o depoimento que Dirceu deve prestar ao Supremo Tribunal Federal neste mês, sob a acusação de chefiar o esquema do mensalão.

"Não podemos ficar impassíveis diante disso. A entrevista [de Dirceu] com certeza será um tema de enfrentamento. Soma-se isso ao pacote do governo [lançado para substituir as perdas com o fim da CPMF] e podemos prever que não será um bom início de ano legislativo. Os trabalhos vão começar acirrados", diz o líder do PSDB na Câmara, deputado Antônio Carlos Pannunzio (SP).

Lideranças da oposição disseram acreditar que Dirceu concedeu a entrevista para mandar recados ao governo. "Não sei o que ele está tentando fazer, mas está claro que ele quer mandar um recado para alguém e com certeza alguém muito ligado ao governo", disse o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ).

Chamado de "gaiato" por Dirceu na entrevista, o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), afirmou que as declarações são fruto de ressentimento do ex-deputado por ter tido o mandato cassado.

"Ele não esqueceu sua cassação porque o Congresso, para se defender, teve que jogá-lo fora", afirmou Garibaldi, para quem a entrevista de Dirceu atacou "toda a instituição".

Após reunião com o presidente Lula, o ministro Tarso Genro (Justiça) disse que não tem informações sobre a compra da sede do PT gaúcho porque, à época, não integrava a direção estadual do partido.

Segundo ele, o "contencioso" estabelecido é entre Dirceu e o diretório do partido à época. Questionado se é histórica a rixa entre paulistas e gaúchos do PT, ele respondeu: "É residual".

"Não tenho informação sobre isso [se a sede foi comprada com caixa dois] porque eu não era da direção estadual."

 

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