Dois deputados estaduais são indiciados por fraude dos selos no RS
SIMONE IGLESIAS
da Agência Folha, em Porto Alegre
Dois deputados estaduais foram indiciados pela Polícia Federal por suposta participação na chamada fraude dos selos da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, que levou ao desvio de R$ 3,3 milhões.
Os deputados Kalil Sehbe (PDT) e Paulo Brum (PSDB) foram enquadrados por peculato, uso de documento falso e formação de quadrilha.
O delegado Andrei Rodrigues, responsável pelo caso, disse que a decisão foi embasada em provas que ligariam os dois a uma empresa investigada por participação na fraude.
Sehbe e Brum contrataram por R$ 11 mil, cada um, serviços de coleta e postagem de mala direta da empresa durante a campanha eleitoral de 2006.
A empresa pertence à família de Claiton Alves, que confessou, segundo a PF, ter revendido selos desviados pelo ex-diretor administrativo da Assembléia Ubirajara Macalão.
O desvio foi descoberto por meio de sindicância interna e investigação da PF.
Macalão --que, segundo a polícia, confessou ser o responsável pelo esquema-- fraudava notas e faturas de pagamento pela compra de selos.
O Legislativo começou a desconfiar porque possui duas máquinas de postagem, que carimbam cartas, sem a necessidade de selos. Os dois deputados negaram envolvimento e disseram que são inocentes.
"Apresentei nota fiscal, cópia do cheque pago à empresa e todas minhas contas de campanha. Sou vítima de uma quadrilha que usou dinheiro público para revender o material. A empresa contratada me foi indicada por Macalão, na época insuspeito diretor da Assembléia", disse Sehbe.
Brum também afirmou que contratou a empresa por recomendação de Macalão.
"Fui surpreendido com o indiciamento. Fomos injustiçados, mas vamos provar que somos inocentes", afirmou.
O PSOL entrou com uma representação na Assembléia ontem à tarde pedindo abertura de processo disciplinar contra os dois parlamentares.
O presidente da Assembléia, Frederico Antunes (PP), disse que é prematuro iniciar processo ético antes de alguma decisão da Justiça. A PF continua a investigação e não descarta indiciar mais deputados.
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