Garibaldi diz que falta de conhecimento técnico não impede Lobão de ser bom ministro
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), comparou nesta quinta-feira o novo ministro Edison Lobão (Minas e Energia) com o ex-primeiro-ministro britânico Winston Churchill --que não era militar e venceu a Segunda Guerra Mundial. A comparação seria uma associação ao fato de Lobão ser um político e não técnico e ter condições de gerenciar o ministério --que é essencialmente técnico.
"Eu tenho muito apreço pelo senador Lobão. Não quero que ele [Lobão] enfrente nenhuma guerra como Churchill enfrentou. Não quero nem mesmo que ele enfrente um apagão", disse o senador, antes de viajar para Natal (RN).
"[Posso então citar] um exemplo local que é o acerto do [ex] ministro Serra quando estava no Ministério da Saúde", afirmou o senador, referindo-se à gestão que ele julga positiva do atual governador de São Paulo quando ocupava o Ministério da Saúde. Serra não tem formação na área de saúde.
Garibaldi evitou comentar sobre as futuras nomeações a partir de Lobão como ministro de Minas e Energia. Segundo ele, o próprio Lobão é que vai definir o momento e os nomes. "Isso vai depender fundamentalmente do próprio Lobão que vai administrar o processo", disse.
Suplente
O peemedebista afirmou também que não recebeu comunicado algum sobre um eventual pedido de licença do empresário Edison Lobão Filho (DEM-MA), que é suplente do pai e deve assumir a vaga e depois pretende licenciar-se.
"Não fui comunicado a respeito de nada disso. Acho prematuro fazer qualquer comentário porque na verdade sobre assunto só tenho notícias dos jornais", afirmou.
Ontem à noite, Lobão disse que seu filho assumiria a vaga, mas havia a hipótese de se licenciar para prestar esclarecimentos sobre as denúncias em que é alvo.
Lobão Filho é acusado de usar laranja para fugir de dívida com o fisco, ocultar uma sociedade em uma empresa e ainda envolver-se em irregularidades na venda de uma emissora de TV.
Para Garibaldi, as acusações contra o empresário e suplente de senador não afetam a imagem do Senado. "Eu acho que só podemos dizer que pega mal para a Casa, se os esclarecimentos não forem suficientes. Até agora ele falou por meio de um porta-voz ou assessor. É preciso esperar para termos uma visão mais nítida do caso", disse.
O senador afirmou ainda que não fixou prazo para Lobão Filho prestar esclarecimentos sobre as denúncias. "Não existe prazo nem processo. Na verdade existem denúncias nos jornais", afirmou ele. Porém, o DEM disse aguardar que ele se explique o mais rápido o possível, assim que retornar de viagem ao exterior.
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