Faixas com elogios a adversários do prefeito são vetadas em festa na BA
LUIZ FRANCISCO
da Agência Folha, em Salvador
A festa mais popular do calendário religioso da Bahia, a lavagem das escadarias da igreja de Nosso Senhor do Bonfim, em Salvador, reuniu ontem cerca de 1 milhão de pessoas, segundo estimativas da Polícia Militar.
Como ocorre tradicionalmente, sobretudo em anos eleitorais, políticos aproveitaram os festejos para testar a popularidade. O governador Jaques Wagner (PT), o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB), o senador Antonio Carlos Magalhães Júnior (DEM) e o prefeito de Salvador, João Henrique Carneiro (PMDB), fizeram todo o percurso de oito quilômetros a pé.
No trajeto entre a igreja da Conceição da Praia --local de partida do cortejo-- e as escadarias do Bonfim, fiscais da prefeitura retiraram faixas e balões com críticas ao prefeito João Henrique e elogios a adversários políticos, como o deputado federal Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM) e o ex-prefeito Antonio Imbassahy (PSDB). Ambos são pré-candidatos à prefeitura da capital baiana.
"Foi um ato arbitrário que confronta a democracia e desrespeita a natureza da festa do Senhor do Bonfim, onde cada um pode manifestar livremente sua devoção. Não consigo entender os motivos que levam a autoridade municipal a tomar essa decisão", disse deputado ACM Neto.
O ex-governador baiano Paulo Souto (DEM) disse que a prefeitura não pode "se dar o direito de escolher quais faixas devem ser retiradas". "Seria até razoável se todas as faixas de natureza política fossem retiradas."
O prefeito se eximiu de responsabilidade pela retirada. "Quem fez isso será punido com rigor porque a festa do Bonfim é a expressão da vontade popular", disse.
Durante o percurso de ontem, dezenas de fiéis vestiam camiseta com a estampa do senador Antonio Carlos Magalhães, morto no ano passado --durante 50 anos, ACM foi presença constante na festa.
Os festejos começaram pela manhã, após a realização de um culto ecumênico, envolvendo representantes do catolicismo e do candomblé. Depois, os fiéis, quase todos vestidos de branco, caminharam até a mais famosa igreja da Bahia, onde participaram da lavagem das escadarias do templo, cerimônia comandada por 500 baianas com potes de água de cheiro.
Leia mais
- DEM da Bahia indica ACM Neto para disputar Prefeitura de Salvador
- PSDB vai esperar PT para definir candidatura a prefeito em São Paulo
- TSE prevê eleições com segundo turno em 76 municípios
- Igreja do Bonfim e o mercado Modelo são básicos indispensáveis
- Livros abordam temas políticos, sociais e históricos e ajudam a entender o Brasil
Especial

