Servidores ameaçam greve após Carnaval caso o governo não negocie reajuste
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
A Condsef (Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal), que reúne cerca de 800 mil funcionários públicos de todo país e de vários órgãos federais, afirmou nesta sexta-feira que os servidores podem entrar em greve após o Carnaval. Segundo a direção da entidade, a previsão só será modificada se o governo sinalizar que vai manter as negociações que levarão ao reajuste salarial das categorias.
"A nossa expectativa é que o governo não rompa com as negociações e o acordo firmado no final do ano passado. O que nos estranha é que este governo tem vários interlocutores. Cada dia é um que fala a respeito dos servidores", afirmou Sérgio Ronaldo da Silva, da direção da Condsef.
Na próxima quarta-feira, dia 23, a direção da Condsef tem uma reunião marcada com o secretário de Recursos Humanos, do Ministério do Planejamento, Duvanier Paiva Ferreira. No encontro, os servidores saberão quais são as previsões do governo sobre o reajuste para as categorias que fazem parte da Condsef.
Já no dia 22, o Sindsep-DF (Sindicato dos Servidores Públicos Federais) do Distrito Federal programou uma manifestação denominada "Grito dos Servidores", na Esplanada dos Ministérios, em protesto à possibilidade de a categoria não ter reajuste este ano. O protesto deverá contar com o apoio do mais tradicional bloco carnavalesco de Brasília --o Pacotão.
Inflação
Segundo Silva, no dia 21 de dezembro de 2007, foi firmado um acordo em que o governo teria se comprometido a conceder reajustes diferenciados para as 28 categorias protegidas pela Condsef. De acordo com o diretor da entidade, os percentuais de reajuste são distintos, mas obedecem, no mínimo, a inflação do período de 2008 a 2010.
Porém, o governo e a equipe econômica já sinalizaram que não vão conceder reajuste salarial para os servidores neste ano. O objetivo, segundo eles, é cortar gastos para buscar compensar parte da perda da arrecadação com o fim da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira).
Ontem, aproximadamente 11 mil advogados da União e procuradores da Fazenda Nacional, da Previdência e do Banco Central entraram em greve por tempo indeterminado. Em nota, a Secretaria Geral da AGU (Advocacia-Geral da União) informou que já determinou o corte de ponto dos grevistas.
Segundo a Anauni (Associação Nacional dos Advogados da União), os advogados reivindicam o cumprimento de um acordo firmado pelo governo federal em 1º de novembro do ano passado, de um aumento salarial de 25% a partir deste ano até 2009.
Na tarde de ontem, cerca de 300 advogados realizaram uma manifestação em frente ao Ministério do Planejamento. De lá, seguiram para o Palácio do Planalto.
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