Procuradoria recorre à Justiça para suspender greve de advogados públicos
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
A Procuradoria Regional da União na 1ª Região, em Brasília, apresentou nesta sexta-feira na Justiça Federal do Distrito Federal uma ação com pedido de liminar para suspender a greve dos advogados públicos federais. A Procuradoria quer ainda que as nove entidades envolvidas na greve pague multa diária e ainda propõe que eventuais prejuízos sejam cobrados dos grevistas.
Ontem, os advogados da União deflagraram greve por tempo indeterminado e fizeram manifestação na Esplanada dos Ministérios e em frente ao Palácio do Planalto.
Os dirigentes do Fórum Nacional da Advocacia Pública Federal informaram que a paralisação vai ser mantida por tempo indeterminado. "Estamos tranqüilos e vamos esperar que a decisão final ocorra. Temos segurança sobre a legalidade do nosso movimento e vamos contestar a tempo e a hora", disse Jorge Messias, secretário-geral do fórum.
A ação da Procuradoria foi proposta contra nove entidades representativas das carreiras jurídicas da AGU (Advocacia Geral da União). Segundo a Procuradoria, o governo federal enfrenta dificuldades causadas pelo fim da cobrança da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira).
"Essas dificuldades, contudo, não significam de forma alguma que o governo se recuse a repactuar o reajuste", informa o documento.
Segundo a Procuradoria, a greve dos advogados é ilegal porque atinge setores essenciais à sociedade. "Por exercerem atividade pública considerada essencial pela própria Constituição Federal, a greve deflagrada deve ser declarada ilegal por contrariar o interesse público", argumenta a Procuradoria na ação.
Segundo a AGU, a greve dos advogados deverá provocar prejuízos ao patrimônio público e à ordem administrativa pois impede a defesa judicial dos entes públicos e o andamento de licitações e contratos necessários ao atendimento da população.
De acordo com os dirigentes da paralisação, independentemente da decisão, os atos programados para a próxima semana serão mantidos. Há previsão de protestos em frente a prédios públicos e também do edifício da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), em Brasília.
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