Lula quer capitalizar "potencial político" de ministros na relação com o Congresso
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
Na reunião ministerial desta quarta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu usar o "potencial político" de seus ministros, aproveitando que representam diversos partidos, para aproximar o governo do Congresso. Por cerca de cinco horas, Lula tratou basicamente sobre política, relações entre Executivo e Legislativo e rapidamente a respeito da crise imobiliária nos EUA.
"É preciso capitalizar melhor o potencial de cada ministro para que atue nos [respectivos] partidos", disse o ministro José Múcio Monteiro (Relações Institucionais), designado por Lula o porta-voz oficial da reunião. "Capitalizamos pouco o potencial político de cada ministro. É necessário que se use o talento e o potencial que cada [ministro] tem."
| Sergio Lima/Folha Imagem |
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Durante a reunião, no Palácio do Planalto, Lula advertiu os ministros sobre a necessidade de eles aumentarem o diálogo com os parlamentares. Também afirmou que havia "pouca conversa política".
Prioridades
Para o governo, as prioridades no Congresso devem ser a votação da proposta final do Orçamento Geral da União e os cortes contidos nela, além da MP (medida provisória) que aumenta a alíquota da CSLL (Contribuição Social sobre Lucro Líquido) e também a reforma tributária.
Em ano de eleições municipais, o empenho do governo será para concentrar as atenções no primeiro semestre de 2008.
Múcio disse que em fevereiro o governo enviará a proposta de reforma tributária. Porém, antes do encaminhamento da proposta para o Congresso, Lula comandará a reunião do Conselho Político --no dia 21 de fevereiro-- para discutir o assunto.
Erros
Múcio admitiu ainda que o governo cometeu erros políticos nos últimos meses. Como exemplo, ele citou o tratamento nas negociações envolvendo as nomeações políticas para cargos-chave no Executivo. Sem citar situações específicas, disse que houve demora em atender aos apelos dos aliados, e que isso não iria mais ocorrer.
"Nós cometemos um erro: demoramos com isso [com as nomeações]", disse Múcio, informando que há "impasses" que envolvem burocracia e outras questões de divergências políticas. Porém, considera tudo isso normal.
Oposição
Durante a reunião, o presidente também orientou seus ministros para que fosse mudado o tratamento em relação à oposição. Segundo Múcio, os partidos de oposição não devem ser tratados como "inimigos", mas "adversários", pois no futuro podem contribuir com o governo.
"Temos de acabar com essa história de quem é contra é inimigo. É adversário e pode somar [no futuro]", afirmou o ministro.
Otimista, Múcio reafirmou que a derrota na votação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) foi "didática", mas que já é "matéria vencida".
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