Brasil
23/01/2008 - 22h38

Delúbio Soares inocenta Dirceu e nega existência do mensalão

REGIANE SOARES
da Folha Online

O ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares negou em depoimento nesta quarta-feira a existência do mensalão e inocentou o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil) de envolvimento no esquema denunciado pela Procuradoria-Geral da República que financiava parlamentares do PT e da base aliada em troca de apoio político. O petista é acusado de corrupção ativa e formação de quadrilha.

Durante quase duas horas, Delúbio respondeu às perguntas feitas pela juíza Sílvia Maria Rocha, da 2ª Vara Criminal Federal, em São Paulo. Mas, por estratégia da defesa, preferiu ficar calado quando questionado pelos procuradores e advogados de outros réus do processo.

A Folha Online apurou que uma das perguntas que Delúbio se recusou a responder foi sobre a participação de reuniões com outros réus no processo.

Quando questionado pela juíza, o petista admitiu que pediu empréstimos ao Banco Rural e ao BMG com o objetivo de pagar a festa da primeira posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, viagens de militantes e gastos de campanha. Afirmou também que Dirceu não tinha conhecimento das operações.

Apesar de o depoimento ter durado quase duas horas, Delúbio ficou mais três horas corrigindo suas declarações que foram digitadas por um funcionário da Justiça Federal antes de imprimir e assinar todo o interrogatório de mais de 40 páginas.

Na saída, o petista não falou com a imprensa e se limitou a dizer apenas "boa noite" aos jornalistas que questionavam sobre o conteúdo do depoimento.

O advogado Celso Vilardi, que defende Delúbio, disse que o petista repetiu as mesmas declarações já prestadas anteriormente à CPI, mas que desta vez teve a oportunidade de responder à acusação formal de corrupção ativa e formação de quadrilha. "O resultado [do depoimento] foi ótimo", definiu.

Vilardi disse que o fato de Delúbio não ter respondido às perguntas dos procuradores foi uma estratégia da defesa e que o silêncio não era uma confissão de culpa.

"O interrogatório é um ato de defesa e as perguntas necessárias foram feitas pela juíza", comentou.

Antes de Delúbio, a juíza ouviu Breno Fischberg, ex-sócio da corretora Bônus-Banval, acusado de cometer os crimes de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

Amanhã, a juíza ouve José Dirceu, o ex-secretário-geral do PT Sílvio José Pereira e o ex-sócio da corretora Bonus-Banval, Enivaldo Quadrado. Os réus são acusados de crimes de lavagem ou ocultação de bens, direitos ou valores.

Comentários dos leitores
Jacinto Moreira (9) 02/09/2008 10h52
Jacinto Moreira (9) 02/09/2008 10h52
Independente do saldo bancário, o criminoso, o infrator, o meliante deve pagar, junto com os coniventes, pelo ato ilegal. Caso contrário, não faz sentido às pessoas respeitarem as leis vigentes no país. sem opinião
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Jacinto Moreira (9) 02/09/2008 10h46
Jacinto Moreira (9) 02/09/2008 10h46
Independente do saldo bancário, o criminoso, o infrator, o meliante deve pagar, junto com os coniventes, pelo ato ilegal. Caso contrário, não faz sentido às pessoas respeitarem as leis vigentes no país. sem opinião
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Ele sabe que será solto em poucos dias sem opinião
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