Brasil
30/01/2008 - 15h58

Lula evita culpar soja e gado pelo desmatamento na Amazônia

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RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira que, por enquanto, não é possível atribuir as causas do desmatamento ao plantio de soja nem à produção de gado na Amazônia. Lula fez o comentário durante almoço no Itamaraty em homenagem ao presidente do Timor Leste, José Ramos-Horta.

Segundo interlocutores, Lula demonstrou preocupação com o tema, mas indicou que é necessário ter cautela. "Não dá para ficar culpando a soja nem a pecuária [por causa do aumento do desmatamento na região Amazônica]. Tem de se avaliar", teria dito Lula, de acordo com alguns dos presentes ao almoço.

Na semana em que o governo anunciou o aumento da derrubada de árvores na região da Amazônia, os ministros Marina Silva (Meio Ambiente) e Reinhold Stephanes (Agricultura) divergiram publicamente sobre as eventuais causas do desmatamento.

Para Marina, o aumento do plantio de soja e da produção de gado em áreas preservadas contribuiu para o desmatamento. Já Stephanes discordou da colega, informando que o plantio e a produção seguiam regras que eram obedecidas.

No almoço hoje, o presidente evitou entrar na polêmica, segundo interlocutores. Mas confirmou, segundo interlocutores, a informação publicada hoje na Folha que pediu um levantamento detalhado à Polícia Federal e aos ministérios do Meio Ambiente e Agricultura sobre os números referentes ao desmatamento na Amazônia.

De acordo com alguns dos presentes, Lula reclamou do que chamou de "alarde" exagerado sobre os números referentes à Amazônia. Porém, esquivou-se de responsabilizar um e outro pelo suposto exagero.

Pelo alerta do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), 7.000 km2 foram desmatados na Amazônia, em um trimestre. O presidente quer exatidão nos números, segundo informações de interlocutores.

Ao ser questionado se teria sido culpa da ministra Marina Silva o suposto alarde nos números do desmatamento, o presidente defendeu a petista. "Marina não é disso nem precisa disso", teria dito o presidente, segundo interlocutores.

Comentários dos leitores
Felipe Zagalo (1) 24/06/2009 15h11
Felipe Zagalo (1) 24/06/2009 15h11
Tenho pela certeza que o sr. Reis sabe o que diz. Não posso recriminá-lo pelas suas palavaras, pois vivo na Amazônia e sei exatamente o que acontece nos dois extremos, do degradador e do ambientalismo, muitas das vezes radical. Não podemos negar que há pessoas sem nenhum preparo para respeitar as questões ambientais, mas também não podemos negar que a pobreza causa muito mais impacto negativo, seja socialmente como ambiental, portanto tenho que respeitar a opinião do Sr. Reis, pois Londres, Paris, Amsterdã, entre outras cidades ricas da Europa, Oceania, Canadá e EUA estão no topo do ecologismo, sendo modelos de preservação ambiental, depois de esgotarem seus recursos naturais, sendo assim foi fácil recuperar um Tâmisa, um Sena, mas veja se a indústria parou? Aqui na Amazônia existem pessoas sérias, existem fazendas de gado, muito melhores, na questão ambiental, do que muitas que conheci em São Paulo, existem muitas áreas agrícolas que respeitam as APP's, o que a gente não vê no oeste do Paraná. Então saudações ambientais sr. Reis e que Deus sempre o ilumine. sem opinião
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oldemar rodrigues (4) 23/06/2009 22h40
oldemar rodrigues (4) 23/06/2009 22h40
Esta é uma coisa razoavel que o Presidente Lula disse nestes ultimos dias de avalanches politicos negativos.
O Meio Ambiente é um bem de todos, produtores ou não. E nada mais justo que haja participação da classe produtora nas decisões para preservação ambiental , pois essa matéria sempre aconteceu de forma unilateral e eu sou testemunho disso, pois estou na area ambiental a 30 anos e com segurança digo que se essas areas não interagirem jamais teremos preservação de verdade.
Não devemos esquecer que o desenvolvimento é uma necessidade imediata de qualquer ser humano, seja ele ambientalista ou produtor, pois ambos respiram, comem, trabalhão. ao contrario das consequencias ambientais causada pelo desenvolvimento insutentavel que leva tempos para ser percebido levando varias gerações as vezes para se manifestar. Portanto a educação ambiental e a aplicação de leis adquadas feitas com a participação de ambas as partes seriam o ideal para os bons resultados na luta pela preservação ambiental.
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Rodrigo Vieira de Morais (86) 22/06/2009 17h49
Rodrigo Vieira de Morais (86) 22/06/2009 17h49
O problema não é desmatar, e sim o que o pessoal vai vazer da vida depois de desmatar a Amazônia. Vai viver de quê?
Aqui no sudeste e sul do país o que aconteceu foi um desmatamento desinfreado que não trouxe vantagem alguma.
Quem ganhou muito dinheiro com o desmatamento acabou vendendo sua propriedade e foi pra cidade viver de aluguel de imóvel.
Quanta área aqui no sudeste e sul é mal utilizada pelo produtor rural. Agora as áreas desmatadas valem menos que as áreas com reserva legal e APP.
O problema todo é renda para as pessoas, enquanto uma árvore valer mais deitada do que em pé não existirá preservação ambiental aqui no Brasil.
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