Garibaldi diz que instalação de CPI não justifica possível demissão de Matilde
LÍSIA GUSMÃO
Colaboração para a Folha Online, em Brasília
O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), avaliou nesta quinta-feira que a possibilidade de instalação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) no Congresso para apurar abusos no uso de cartões corporativos não justifica a demissão da ministra Matilde Ribeiro (Igualdade Racial).
A Folha Online apurou que a ministra está reunida com auxiliares para decidir se explicará publicamente os gastos de R$ 171 mil com o cartão. Além do pagamento de despesas em um free shop no valor de R$ 461,16, Matilde gastou mais de R$ 110 mil com aluguel de carros e mais de R$ 5.000 em restaurantes.
Segundo Garibaldi, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deve levar em conta a repercussão negativa dos gastos excessivos ao decidir se demite a ministra.
"Se for apurado e a ministra tiver cometido abusos, cabe ao presidente [Lula] demiti-la ou não. O presidente não fará isso para atenuar a repercussão", disse o presidente do Senado.
Para os interlocutores do Palácio do Planalto, a situação de Matilde é grave. Na avaliação de auxiliares do presidente Lula, a ministra deveria colocar o cargo à disposição.
Reportagem da Folha desta quinta-feira informa que o Palácio do Planalto avalia que a melhor solução para o caso da ministra é a sua saída do governo.
Segundo a Folha apurou, Lula deve tomar uma decisão sobre o destino da ministra hoje para evitar mais desgastes para o governo.
Ontem, Matilde foi convocada a dar explicações a ministros no Planalto sobre seus gastos. Depois da reunião, a assessoria da ministra divulgou que 'a ministra Matilde Ribeiro colocou-se à disposição para prestar informações aos órgãos competentes, apurar e corrigir possíveis falhas no uso do cartão de pagamentos do governo federal.
Auditoria
Ontem, o TCU (Tribunal de Contas da União) aprovou a realização de uma auditoria geral no uso de cartões corporativos por autoridades federais. A idéia é investigar se houve irregularidades envolvendo despesas, saques em espécie, além de saber como foram aplicados os recursos públicos.
A auditoria foi proposta pelo ministro do TCU Ubiratan Aguiar. Segundo o ministro, a auditoria ampla servirá para identificar se houve aumento excessivo na retirada em espécie com o cartão. Também indicará eventuais abusos utilizando os cartões e ainda como foi aplicado o dinheiro público.
Na terça-feira, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) encaminhou à CGU (Controladoria Geral da União) um pedido para investigar Matilde e o ministro Altemir Gregolin (Pesca) por suposto uso irregular de cartões corporativos.
O documento de Dilma, solicitando as duas investigações, chegou à CGU menos de 24 horas depois de a Comissão de Ética Pública --órgão ligado diretamente à Presidência-- solicitar que fossem apurados os gastos de Matilde.
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