Bernardo ironiza oposição e descarta criação de "CPI da Tapioca"
LÍSIA GUSMÃO
Colaboração para a Folha Online, em Brasília
O ministro Paulo Bernardo (Planejamento) ironizou hoje a iniciativa da oposição de pedir a instalação da uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar supostos abusos e excessos no uso dos cartões corporativos. A proposta de criação da CPI dos Cartões Corporativos é do deputado federal Carlos Sampaio (PSDB-SP) e conta com o apoio de outros parlamentares da oposição.
"Com toda a sinceridade, acho que não é o caso. Vai fazer o quê? Convocar um ministro de Estado para explicar o gasto de R$ 8,30 com uma tapioca? Vai virar a CPI da Tapioca?", indagou Bernardo se referindo à conta paga pelo ministro Orlando Silva (Esportes) com o cartão corporativo em uma tapiocaria.
O ministro Jorge Hage (Controladoria Geral da União) disse que a instalação de uma CPI é decisão do Congresso. "Quem decide é o Congresso e ninguém aqui tem nada a opinar."
Reportagem da Folha do último dia 23 revelou que os cartões do governo federal foram usados em 2007 para pagar despesas em loja de instrumentos musicais, veterinária, óticas, choperias, joalherias e free shop.
No ano passado, toda a máquina federal gastou R$ 75,6 milhões com o cartão de crédito corporativo, aumento de 129% em relação a 2006.
Além de Orlando Silva, também estão com os gastos sob suspeita de uso indevido do cartão os ministros Matilde Ribeiro (Igualdade Racial) e Altemir Gregolin (Pesca).
As despesas da ministra com o cartão corporativo somaram R$ 171 mil em 2007. Além do pagamento de uma conta em um free shop no valor de R$ 461,16, Matilde gastou mais de R$ 110 mil com aluguel de carros e mais de R$ 5.000 em restaurantes.
No caso de Gregolin, a fatura do cartão do ministro registra o pagamento de uma conta de R$ 512,60 de um almoço com uma comitiva chinesa em uma churrascaria de Brasília.
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