Leia íntegra do bate-papo com Rodrigo Vargas sobre desmatamento na Amazônia
da Folha Online
O jornalista Rodrigo Vargas, 31, correspondente da Agência Folha em Campo Grande (MS), participou nesta quinta-feira de bate-papo sobre o desmatamento na região da Amazônia.
O texto abaixo reproduz exatamente a maneira como os participantes digitaram suas perguntas e respostas.
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Bem-vindo ao Bate-papo com Convidados do UOL. Converse agora com Rodrigo Vargas, jornalista da Agência Folha, sobre os novos números sobre o desmatamento da região Amazônica. Para enviar sua pergunta, selecione o nome do convidado no menu de participantes. É o primeiro da lista.
(05:01:11) Rodrigo Vargas: Boa tarde a todos desde Cuiabá
(05:01:33) carola fala para Rodrigo Vargas: oi Rodrigo, tudo bem? Vc que acompanha a situação da região, poderia nos dizer se o crescimento do desmatamento é alarmante?
(05:02:29) Rodrigo Vargas: Carola, na verdade, em relação a outros ano, o desmatamento até que vem caindo. O que ocorreu neste último semestre, segundo o Inpe, foi uma retomada, o que é preocupante
(05:03:06) marcio_portal fala para Rodrigo Vargas: Meu nome é Marcio e sou do Portal da Educação adventista - pergunta 1 - - Em 2006 o governo do Mato Grosso encaminhou um projeto à Assembléia Legislativa redefinindo os limites do parque, ou seja, diminuir a área preservada. A justiça negou a medida depois. Em sua opinião o governo do Mato Grosso está apoiando o desmatamento?
(05:05:20) Rodrigo Vargas: Márcio, quando o governo encaminhou o projeto original, o que se pretendia era retirar 3 mil hectares de áreas ocupadas e desmatadas antes da criação do parque... na Assembléia Legislativa, o projeto abriu caminho para um corte de 27 mil hectares, incluindo áreas desmatadas ilegalmente. Acho que, neste caso, o governo se esforçou pouco para barrar a alteração dos deputados.
(05:05:23) Richard fala para Rodrigo Vargas: O ministro foi em um avião, o governo do MG em outro. Eles realmente tem conversas descontraidas sobre dematamento?
(05:06:34) Rodrigo Vargas: O que posso dizer é que, ao menos na aparência, a relação entre Maggi e Marina Silva parece ser boa.
(05:07:21) Luciane fala para Rodrigo Vargas: boa tarde Rodrigo, Visto que vc acompanha há tempos questões da amazônia, gostaria de saber o que vc acha sobre a declaração do Gov do MT sobre os indices do desmatamento? acha que ele pode ter interesse em reaver os dados, por ser o maior produtor de soja do Brasil?
(05:09:28) Rodrigo Vargas: Luciane, esta questão dos dados do Inpe me parece mais uma diferença de critério sobre o que é desmate. Para o governo, áreas queimadas e degradadas ficam fora da conta. Para Inpe, são áreas sem vida. Acho que a segunda interpretação é mais correta.
(05:10:18) Rodrigo Vargas: Concluindo, ainda para Luciane, para a floresta, tanto faz morrer pelo fogo ou pela motossera. Morrendo, não há mais mata...
(05:10:57) Cuiabano fala para Rodrigo Vargas: Rodrigo, em primeiro lugar parabéns, sou Rubens do site 24 horasnews. Como esta vendo a questão das queimadas em nossa região, já que esteve ontem sobrevoando a região?
(05:11:43) Rodrigo Vargas: José, como disse, há uma diferença de conceitos e também uma margem de erro do sistema Deter. Essa margem de erro vale para todos os Estados e também ocorreu quando o desmate caiu e foi comemorado pelo governo de MT.
(05:11:48) marcio_portal fala para Rodrigo Vargas: - Numa de suas reportagens vinculadas na Folha Online, você cita o caso de três grandes fazendas situadas entre os municípios de Alta Floresta e Paranaíta. Elas tiveram o financiamento do Banco do Brasil por meio do FCO (Fundo Constitucional do Centro-Oeste). O próprio governo federal está apoiando o desmatamento? Pois segundo a sua reportagem essas fazendas estão realizando grandes desmatamentos.
(05:12:58) Rodrigo Vargas: Oi Rubens, vi muitas áreas totalmente destruídas. Estava no avião com um representante da Sema, que me disse que não se tratava de um desmatamento. Mas não vi mata alguma ali. Só árvores mortas.
(05:12:58) Richard fala para Rodrigo Vargas: Você está contrariando interesses grandes, e pistoleiro é barato na fronteiro. Já tem sofrido ameaças devido a reportagem da Primeira Página?
(05:13:56) Fernando Sampaio fala para Todos: Boa noite Rodrigo. Qual é o estado real do SIVAM, como está funcionando o sistema?
(05:14:04) Rodrigo Vargas: Márcio_portal, acho que faltam critérios ambientais para a concessão de financiamentos na região. No dia em que conseguirem conciliar gado e floresta, talvez...
(05:14:30) marcio_portal fala para Rodrigo Vargas: pergunta 3 - - Em sua opinião, quem oferece mais ameaça: os fazendeiros ou os madeireiros?
(05:15:10) Rodrigo Vargas: Richard, sei que há riscos envolvidos no jornalismo, mas nunca sofri sequer insinuações de ameaças.
(05:17:00) Rodrigo Vargas: Márcio-portal, fazendeiros e madeireiros fazem parte de uma mesma equação, na qual também têm de entrar os governos e a sociedade que, mesmo longe da amazônia, contribui para sua destruição, ao ignorar a origem da madeira e da carne que consomem.
(05:17:24) Garota fala para Rodrigo Vargas: O que você achou sobre a declaração que o Lula fez em relação ao desmatamento?
(05:19:20) Rodrigo Vargas: Garota, acho que revela algo que sempre percebi nas entrelinhas de suas manifestações sobre a questão ambiental: ele não dá importância devida ao tema e talvez até acredite que se trate de um entrave ao desenvolvimento do país.
(05:19:32) COIMBRA fala para Rodrigo Vargas: BOA TARDE RODRIGO - COMO VC VÊ A ATUAL SITUAÇÃO DO DESMATAMENTO E SUA PROJEÇÃO PARA ADIANTE
(05:20:20) Rodrigo Vargas: Ainda respondendo ao Márcio_portal, a verdade é que o Brasil não sabe o que fazer com a Amazônia. Não há um projeto definido, uma direção. Há apenas ações isoladas de devastação e reações esporádicas de fiscalização e controle. Mas não se define o que os municípios da região podem ou não fazer.
(05:21:33) Rodrigo Vargas: Coimbra, o problema maior, na minha opinião, não são as flutuações dos números de desmatamento, para cima ou para baixo. É o modelo de ocupação que faz o desmatamento avançar a cada dia (repare que o governo sempre fala em redução das taxas, mas nunca em fim dos desmates). Este modelo, com variações pontuais, é o mesmo há trinta anos, e ele não inclui a floresta.
(05:21:37) Miloca fala para Rodrigo Vargas: Olá Rodrigo boa tarde, o desmatameno que tanto falam é só quando acontece em grandes áreas?
(05:23:36) Rodrigo Vargas: Miloca, sobrevoei três municípios entre a sexta-feira e ontem e quase não vi faixas contínuas de mata. O desmatamento é grande sim e tende a continua, na ausência de fiscalização e na impunidade.
(05:23:57) Mineiro fala para Rodrigo Vargas: Qual atenção que o governo federal oferece para a região?
(05:25:10) Rodrigo Vargas: Mineiro, pelo que conversei com um funcionário do IBama, essa atenção está limitada a períodos do ano. Um dia depois da divulgação dos números do Inpe, o escritório do Ibama em Alta Floresta tinha só três servidores e nenhum carro.
(05:25:10) jose fala para Rodrigo Vargas: Rodrigo, qual é na sua opinião o impacto que esta polêmica poderá provocar para o papel do Brasil no âmbito das questões ambientais no cenário mundial?
(05:27:25) Rodrigo Vargas: José, o impacto é ruim, sem dúvida, mas será ainda pior se a discussão interna ficar limitada à questão da imagem internacional, às ações cinematográficas e esporádicas. Temos que agir, ficalizar, dar alternativas aos municípios da região norte.
(05:27:43) Brasil fala para Rodrigo Vargas: boa tarde rodrigo, eu vi em uma noticia que em 5 meses o equivalente a 700 estadios foram desmatados, eu gostaria de saber se esses dados conferem com o que esta acontecendo ou é bem pior a situação do brasil????
(05:29:03) Rodrigo Vargas: Brasil, 700 campos de futebol, pelas minhas contas, são 700 hectares... segundo o Inpe, apenas uma área desmatada em Marcelândia, em Mato Grosso, atingiu 4 mil hectares, ou 4 mil campos
(05:29:14) rond fala para Rodrigo Vargas: vc acha q a mata amazonica tem salvação ainda?
(05:31:14) Rodrigo Vargas: Rond, a salvação, para mim, está em encontrar um novo modelo para quem vive na região. Do contrário, as pessoas continuarão a fazer o que sempre fizeram (e, é bom lembrar, foram incentivadas pelo poder público a fazer): desmates para o plantio e o gado.
(05:33:55) Rodrigo Vargas: Thiago, falta estrutura, mas também integração entre as políticas de governo. Há nítido descompasso entre as ações de conservação, de planejamento e de infra-estrutura. Não há uma política integrada que defina claramente o que pode e o que não deve ser feito, de que forma ser feito. O mesmo governo que diz defender a natureza é o governo que incentiva o gado na Amazônia.
(05:34:01) Luís fala para Rodrigo Vargas: Qual o percentual de área que o Brasil deveria utilizar da Floresta amazônica para a produção de grãos e como deveria ser feito o mosaíco?
(05:36:09) Rodrigo Vargas: Luis, essa resposta, só um zoneamento bem feito das áreas pode dizer. Mas, na minha opinião, os grãos deveriam ficar o mais longe possível da floresta.
(05:36:15) Luciane fala para Rodrigo Vargas: Vi hoje uma declaração do Lula em que ele diz que os sem-terras e a agropecuária não são a causa do desmatamento. No inicio do ano saiu um relatório sobre a expansão de gado em que deixa número significativos da expansão na amazônia. Se isso aconteceu, onde estão as árvores dessas áreas de pastagem? Se os sem-terras não têm culpa, como fica a questão da reforma agrária e das terras devolutas?
(05:37:09) Rodrigo Vargas: Ainda para o Luis, temos que ter um modelo econômico que inclua a manutenção da floresta. A exploração de madeira certificada (com critérios e limites muito bem estabelecidos), a extração de compostos para as indústrias farmacêutica e cosmética, o ecoturismo, as atividades científicas. O fato é que não dá para conciliar gado e floresta. Se vamos manter a economia da região centrada no gado, não dá para imaginar que mata vá ser deixada em pé.
(05:37:15) rond fala para Rodrigo Vargas: nao entendo o motivo de tanto desmatamento que ocorre na mata amazonica e ninguem toma providencias mais severas em relacao a isso?
(05:38:52) Rodrigo Vargas: Luciane, os assentamentos rurais causam impactos ambientais sim, especialmente na Amazônia, onde a falta de recursos deixa quase nenhuma alternativa aos pequenos. Mas, repito, se ficarmos procurando culpados, a floresta queima e é derrubada. O que é preciso é de alternativas concretas.
(05:39:22) Richard fala para Rodrigo Vargas: O governo já falou que vai mandar mais policias federais. Porém, o que você apontou é falta de fiscal de IBAMA. Vem mais fiscais, ou so tiras?
(05:40:04) Rodrigo Vargas: Rond, como disse, falta um projeto adequado às características da região.
(05:41:41) Rodrigo Vargas: Richard, é preciso haver mais fiscalização, de forma constante. Segundo o funcionário do Ibama que ouvi, 60% dos servidores estão em Brasília e nas capitais e não nas áreas críticas.
(05:42:59) Fernando Sampaio fala para Rodrigo Vargas: Boa noite Rodrigo. Qual é o estado real do SIVAM, como está funcionando o sistema?
(05:44:05) Rodrigo Vargas: Esté é uma pergunta que não sei responder. O que posso lhe dizer é que, pelo alarde com que foi lançado, o sistema de vigilância da Amazônia tem aparecido pouco.
(05:45:31) F_COSTA fala para Rodrigo Vargas: QUE ACHA DA LEI DE CONCESSAO DAS FLORESTAS?
(05:47:27) Rodrigo Vargas: Acho a idéia interessante a princípio, mas temo pela execução. Haverá estrutura para a fiscalização do uso destas áreas? Haverá limites para concessão destas áreas a grupos com histórico ambiental negativo?
(05:47:27) marcio_portal fala para Rodrigo Vargas: Rodrigo, parabéns pelo seu trabalho, durante este ano nós da rede de Escolas Adventistas estamos trabalhando com o tema "Educação Mais Verde", o que vc diaría a nossos professores? Ecologia é importante de ser estudada, mas o que vc acha que neste momento é fundamental ser tratado em sala de aula.
(05:49:49) Rodrigo Vargas: Márcio_portal, acho que é preciso lembrar que esta é uma causa de todos e que a responsabilidade não é só daqueles que vivem nos confins da Amazônia. Mostrar aos alunos que a maior parte da madeira da floresta vai para os mercados do sul e sudeste é colocá-los de frente para o problema.
(05:50:13) Claris fala para Rodrigo Vargas: Olá Rodrigo, querias saber se existe algo q possamos fazer para acabar com o desmatamento, ja q você nos incluiu na contribuição??
(05:52:40) Rodrigo Vargas: Claris, em primeiro lugar, votar em governantes que tenham propostas claras para a Amazônia. Mas também dá para consumir menos e contribuir para projetos de desensenvolvimento sustentável na Amazônia. Buscar madeiras de origem certificada, e exigi-las nas lojas de móveis, também faria diferença.
(05:53:17) Brasil fala para Rodrigo Vargas: rodrigo você não acha que a melhor solução para poder controlar o desmatamento seria colocar o exercito para tomar conta de um patrimonio que é a Amazonia, um patrimonio da humanidade?
(05:55:01) Rodrigo Vargas: Brasil, ainda assim não seria uma solução, entende? Quando digo que o Brasil não sabe o que fazer com a Amazônia, é porque ficamos sempre ou no lado dos que querem derrubar tudo, ou no lado dos que querem tirar as 20 milhões de pessoas que vivem lá
(05:55:13) Mineiro pergunta para Rodrigo Vargas: Oi Rodrigo, o que você pensa sobre a possível internacionalização da Amazônia, relembrando o ex-ministro de Educação?
(05:57:32) Rodrigo Vargas: Mineiro, acho que é conversa antiga, ultrapassada, resquício do período militar. O Brasil tem suas fronteiras reconhecidas, é um país soberano e a Amazônia é ocupada por 20 milhões de brasileiros, que falam o português.
(05:57:38) rup fala para Rodrigo Vargas: Na taxa de desmatamento de hoje quando a Amazônia não poderá mais ser chamada de floresta?
(05:58:56) Rodrigo Vargas: Rup, pode demorar ou não, o fato é que, se mantida a atual forma de lidar com a Amazônia, uma dia a floresta acaba.
(06:00:24) Rodrigo Vargas: Gostaria de agradecer a todos que participaram do nosso bate papo. Abraço!
(06:00:43) Geovanna/UOL: O Bate-papo UOL agradece a presença de Rodrigo Vargas e de todos os internautas. Até o próximo!
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