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Brasil
13/02/2008 - 15h13

Bispo Rodrigues nega existência do mensalão e diz ter largado a vida pública

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CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio

Em depoimento nesta quarta-feira à Justiça Federal do Rio de Janeiro, o ex-deputado Bispo Rodrigues (RJ), na época do PL, negou a existência do esquema do mensalão e afirmou ter deixado a vida pública.

"A vida de um parlamentar é muito ruim, um sacrifício. Chega de manhã e sai à noite. Se você vai a um casamento, tem que abraçar 100 pessoas que você não conhece. Se você está em casa com a família, tem que atender a um pedido político ou até mesmo ir a um enterro de eleitor. É um sacrifício pessoal", afirmou.

Ele é réu no processo do mensalão --esquema denunciado pela Procuradoria-Geral da República que financiava parlamentares do PT e da base aliada em troca de apoio político.

Ao negar a existência do esquema, Bispo Rodrigues afirmou que o PL sempre votou contra o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, junto com o PT, e que não teria lógica o partido receber dinheiro para votar a favor dos projetos do governo Luiz Inácio Lula da Silva.

Ele reconheceu ter recebido dinheiro do PT, mas afirmou que a verba era referente à dívida de campanha do presidente Lula em 2002. Bispo Rodrigues disse que apoiou Lula no segundo turno da eleição e que o PL bancou as despesas de campanha no Rio de Janeiro. A dívida, no entanto, segundo ele, só teria sido paga um ano depois da campanha.

O ex-deputado, no entanto, não soube precisar o valor recebido pelo PT, mas, segundo o processo, seria R$ 150 mil. O dinheiro, segundo ele, teria sido sacado por um motorista de um outro parlamentar, que fazia serviços ocasionais para Bispo Rodrigues.

Ele disse também que recebeu o dinheiro do motorista e o entregou ao tesoureiro de seu partido à época. O ordem para sacar o dinheiro, segundo o ex-deputado, teria partido do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares ou do então presidente do PL, Valdemar Costa Neto.

"Nunca imaginei que o dinheiro do PT tivesse origem nebulosa. O PT era o guardião da ética, e da probidade no meio político. O PT sempre fez discursos de que tudo que fazia era correto. Até hoje não entendo essa fonte [do dinheiro]", afirmou.

Segundo Bispo Rodrigues, o governo Lula foi eleito com discurso de esquerda, mas passou a governar como um partido de centro. "O PT passou a ter uma prática favorável ao nosso partido, ficou como o PL gostaria que fosse. Lula passou a fazer o que queríamos, é mais ou mesmo o estatuto do nosso partido de hoje."

O ex-deputado ainda negou conhecer o empresário Marcos Valério e afirmou que nunca tinha ouvido falar dele antes do escândalo.

Depoimento

Bispo Rodrigues, acusado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, foi ouvido pelo juiz Marcello Ferreira de Souza Granado, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. Durante o depoimento, ele se recusou a responder às perguntas do Ministério Público, respondendo apenas às da Justiça.

O STF (Supremo Tribunal Federal) acatou a denúncia contra todos os 40 acusados pelo procurador-geral Antonio Fernando de Souza de envolvimento com o esquema.

Entre eles estão os ex-ministros José Dirceu (Casa Civil), Luiz Gushiken (Comunicação do Governo) e Anderson Adauto (Transportes), o empresário Marcos Valério, e os deputados João Paulo Cunha (PT-SP) e José Genoino (PT-SP).

A Justiça já tomou o depoimento de 22 réus no processo: Pedro Corrêa (PP-PE), João Paulo Cunha, José Genoino, Pedro Henry (PP-MT), Valdemar da Costa Neto (PR-SP), Paulo Rocha (PT-PA), Duda Mendonça, Zilmar Fernandes, José Luiz Alves, Geiza Dias, Anderson Adauto, João Magno (PT-MG), Breno Fischberg, Delúbio Soares, José Dirceu, Enivaldo Quadrado, Emerson Eloy Palmieri, Kátia Rabello, Vinicius Samarane, Carlos Alberto Quaglia, Marcos Valério e Roberto Jefferson (PTB-RJ).

Comentários dos leitores
O Pacificador (203) 26/11/2009 13h31
O Pacificador (203) 26/11/2009 13h31
"Eleições internas do PT confirmam volta de mensaleiros ao comando do partido..."
É surpresa isso?
A natureza é assim mesmo...
Veja só: Flor do Pântano cresce aonde?
Pois é, com eles não poderia ser diferente...
sem opinião
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joao michelini (82) 26/11/2009 11h31
joao michelini (82) 26/11/2009 11h31
A partir da ANISTIA E DAS DIRETAS JA.
Surge uma NOVA CLASSE SOCIAL BRASILEIRA.. A DOS POLITICOS ...e que nos dias de hoje supera as demais classes. BAIXA, MEDIA E ALTA.
A CLASSE DOS POLITICOS PODE SER CONSIDERADA ALTA-ALTA - transferências de propriedades, sem exceção, foram conseguidas através de tácticas mafiosas, de assassinatos, de roubos generalizados, de apropriação de recursos do ESTADO, MUNICIPIOS, UNIAO E ESTATAIS,PRIVATIZAÇOES. Apropriadas pelas máfias privadas dirigidas por PARTIDARIOS ALIADOS com a corrupção. Esses novos multimilionários saqueam ESTADOS MUNICIPIOS A UNIAO E GRANDES EMPRESAS ESTATAIS em milhões de dólares.O MEXICO E O BRASIL, são os dois países que privatizaram os monopólios públicos mais lucrativos, os maiores e os mais eficientes. Do total de 157,2 mil milhões de dólares nas mãos de 38 multimilionários latino-americanos, 30 são brasileiros. Alguns acumularam suas fortunas obtendo contratos governamentais, e outros através DE INFLUENCIA POLITICA BENEFICIANDO-SE de relações políticas e suborno de empresas públicas.
E O RESTO É RESTO
Classe alta - Classe média - Classe baixa - Miseráveis
E a CLASSE DE OTARIOS COMO NOS ELEITORES, QUE PAGAMOS POR TUDO ISSO..., QUE SE LASQUE, RECORRER A QUEM SE DOMINARAO TUDO.
EXECUTICO - LEGISLATIVO E ATE O JUDICIARIO COM O STF DANDO LHES COBERTURA...
-----VOTO NULO NAS PROXIMAS ELEIÇOES NESTA CASTA DE MALANDROS---
55 opiniões
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J. Pimentel (70) 22/11/2009 11h21
J. Pimentel (70) 22/11/2009 11h21
Aos poucos estão desqualificando os crimes cometidos no emblemático caso do Mensalão. O mensalão "oficialmente" é uma contribuição mensal para que os deputados votassem com o governo. Na prática foi a forma de reeembolsar os deputados para cobrir seus compromissos de campanha. Esse dinheiro saiu de um CAIXA DOIS, ou seja, fora da contabilidade oficial, do mesmo caixa que financiou grande parte das campanhas, não só do PT. O Operador pricipal foi Marcos Valério, através de suas agências de propaganda, mas não foi o único com certeza, porque a movimentação financeira é muito alta para ficar concentrada apenas nas agências denunciadas. São dois crimes, na verdade, que já ficou em apenas um e, depois de tanto tempo já se pode colocar este caso no rol de impunidades que assola a dignidade do país. Com o apoio popular que tem, Lula tem assegurado essa impunidade, inclusive negando o inegável, fingindo desconhecer o esquema que não foi criado por ele, mas é uma prática tradicional da politica brasileira. A descaração do PT e seus aliados, que continuam dando as cartas no partido e na politica brasileira, é apenas um desses atos vergonhosos com os quais os brasileiros se acostumaram e, pelo apoio que teem dado ao atual governo, também apoiam essa "maracutaia", termo consagrado na língua portuguesa pelo próprio presidente Lula. É bom que se esclareça que não foi o PT quem criou essas práticas. A decepção é que acreditavamos que o PT fosse acabar com elas e não utilizá-las também. 2 opiniões
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