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Chegada da família real ao Brasil muda arquitetura do Rio
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WANDERLEY PREITE SOBRINHO
Colaboração para a Folha Online
A instalação da família real portuguesa no Brasil, há 200 anos, foi responsável por uma transformação política no país. Para o Rio de Janeiro, a herança foi ainda maior: ao voltar para Portugal, dom João 6º deixou a cidade de cara nova sem precisar colocar a mão no bolso. De acordo com os historiadores, a elite fluminense financiou a maior parte das obras que simbolizam o período em família real esteve no Brasil.
A família real portuguesa bancou pequenas obras na nova corte, como a construção de três chafarizes, o prédio da Academia de Belas Artes --que hoje se transformou em um estacionamento-- e o primeiro prédio do quartel, atual Palácio Duque de Caxias.
Ficou para a elite fluminense a tarefa de transformar o Rio de Janeiro em um lugar digno de capital do reino. "Antes, os ricos da cidade não podiam ostentar riqueza. Por isso, as casas eram grandes, mas não tinham luxo. Com a chegada da família real, as regras foram alteradas", diz o historiador e arquiteto Nireu Cavalcanti, professor da UFF (Universidade Federal Fluminense).
Empolgadas com a chegada de dom João, essas pessoas investiram na reforma de praças e até na pavimentação de ruas. Mas a motivação principal foi a possibilidade de morarem ao lado do príncipe regente.
"A região de São Cristóvão, onde ficava o Palácio Real, foi ocupado nesse período", diz Cavalcanti. Os ricos se mudavam para lá e construíam ou reformaram seus palacetes especialmente em estilo neoclássico. "Dom João também permitiu a abertura de novos loteamentos, o que aumentou o perímetro urbano."
Para abrigar a família real, foi preciso improvisar. "Os prédios já existiam, mas precisaram ser reformados", diz João Paulo Garrido Pimenta, professor de história da USP (Universidade de São Paulo).
Antes de se mudarem para aquela que seria uma de suas três residências oficiais, o Paço Imperial abrigou, ao mesmo tempo, a Casa da Moeda, uma cadeia e acomodações da Guarda Real. "Era impossível chamar aquilo de palácio", diz Cavalcanti.
O Palácio da Quinta da Boa Vista e a fazenda de Santa Cruz --outras residências imperiais-- passaram por reformas. Mesmo assim, segundo os historiadores, não chegavam perto do luzo das edificações portuguesas.
Quando o príncipe regente desembarcou no Rio de Janeiro, a cidade já era a segunda mais rica do Império, atrás apenas de Lisboa. Mesmo assim, foi de uma hora para outra que ela deixou de ser a capital de uma colônia para se transformar na Corte do império português.
"A prioridade de Portugal era manter suas colônias e a segurança do seu reino", diz Cavalcanti. "Dom João precisou aparelhar a Marinha e o Exército, invadiu a Guiana Francesa e combateu a revolta pernambucana de 1817. Não havia dinheiro para nada."
Destino dos palácios
Hoje, a Quinta da Boa Vista abriga o Zoológico do Rio e o Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, administrado pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).
Já no Paço Imperial, tombado pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), funciona um centro cultural com exposições, biblioteca e lojas.
A fazenda São Cristóvão teve um destino triste. No terreno doado para o Exército, sobrou apenas a fachada da igreja que existia nos tempos de dom João.
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