Senador diz que dom João 6º foi mais que "simples comedor de frango"
da Agência Senado
O senador Paulo Duque (PMDB-RJ) disse hoje que a abertura dos portos às nações amigas foi um sinal do caráter desenvolvimentista e estratégico da visão de estadista de dom João 6º. Ao falar nesta quinta-feira (21), na sessão especial do Senado em homenagem à passagem dos 200 anos da abertura dos portos brasileiros, o senador disse que não concorda com a classificação de dom João 6º "como um simples comedor de frango".
"Não concordo com isso, nunca concordei. Foi minha intuição de estudante, eu pensava: este foi um grande homem. Ele merece a homenagem do Brasil. Hoje é o Brasil inteiro que o homenageia. Salve dom João 6", disse.
Para o senador, dom João 6º foi um dos grandes heróis do Brasil, "com frango ou sem frango", além de ter deixado uma descendência que classificou de "admirável", representada por dom Pedro 1º e dom Pedro 2º.
Paulo Duque disse que não concorda com a forma jocosa com que a família real, especialmente dom João 6º, é tratada pelos livros didáticos.
Paulo Duque enfatizou a importância da mudança da família real para o Brasil. Lembrou da vantagem que Portugal teve em relação à Espanha, já que o território assegurado aos portugueses, com a assinatura do Tratado de Tordesilhas, não foi fatiado, enquanto a América espanhola foi sendo dividida em vários países.
"Considero que a vinda, provisoriamente, do governo português para o Brasil foi um dos fatores principais da unidade nacional, sem dúvida alguma", afirmou.
Abertura dos portos
Em sessão especial aberta pelo presidente Garibaldi Alves (PMDB-RN), os senadores comemoraram, nesta quinta-feira os 200 anos da abertura dos portos do Brasil.
Garibaldi Alves lembrou, em seu discurso, que o fato constitui um dos momentos simbolicamente mais importantes da história do país.
A Carta Régia de 28 de janeiro de 1808, assinada por D. João 6º oito dias após a chegada da Corte portuguesa à Bahia, e que abriu os portos brasileiros às nações amigas, foi citada pelo presidente do Senado como o documento básico da formação do Brasil do ponto de vista econômico, administrativo e político.
Os diversos aspectos desse fato histórico foram também abordados pelo senador Romeu Tuma (PTB-SP), autor da proposta da homenagem, e por outros cinco oradores.
O comandante da Marinha, almirante-de-esquadra Julio Soares de Moura Neto, e o representante do Exército, general-de-divisão Odilson Sampaio Benzi, participaram da solenidade.
Também estiveram presentes à sessão o embaixador de Portugal, Francisco Seixas da Costa, e o secretário-geral da Receita Federal, Jorge Rachid.
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