Brasil
24/02/2008 - 08h00

Roseana diz que preconceito contra mulher na política ainda existe

REGIANE SOARES
da Folha Online

Roseana Sarney, 54, nasceu em uma família de políticos. Estudou Ciências Sociais e fez especialização em Ciências Políticas. Mas não tinha certeza que iria seguir a carreira do pai, o senador e ex-presidente José Sarney (PMDB-AP). Quando decidiu participar do processo político-eleitoral, a ex-governadora e atual senadora pelo PMDB do Maranhão percebeu que realmente existe preconceito à participação da mulher na política.

A senadora disse que não sofreu preconceito, mas reconheceu que ele existe. Segundo ela, em sua primeira eleição, para deputada federal, em 1990, não levantou a bandeira sobre a condição da mulher. "Queria discutir o progresso do Maranhão", recorda a parlamentar, que foi a mais votada no Estado naquela eleição.

Lula Marques/Folha Imagem
Roseana disse que não tinha certeza que seguiria a carreira do pai, José Sarney
Roseana disse que não tinha certeza que seguiria a carreira do pai, José Sarney

Roseana decidiu discutir a questão das minorias quando disputou o governo do Maranhão, em 1994. "Nesse período percebi que o preconceito existe", disse a senadora. Segundo ela, pesquisas realizadas na época indicaram que 8% das maranhenses não votariam nela devido à sua condição de mulher. Apesar disso, foi a primeira governadora eleita (1994) e reeleita (1998) do Brasil.

Para a senadora, a questão de gênero não deve ter diferença na política. "A mulher sempre influenciou na política. Mesmo quando não era a atriz principal [e não podia votar e ser votada], ela soprava as coisas no ouvido dos homens como conselheira", afirmou.

Como filha de político, Roseana sempre teve que compreender a ausência do pai. Hoje, passa a experiência que viveu para sua filha, Rafaela, e seus netos Fernanda e Rafael. Segundo a parlamentar, é natural que a mulher que queira seguir carreira política fique ausente de alguns compromissos familiares importantes, mas há como contornar a ausência com uma agenda equilibrada e estabilidade emocional.

"Tenho um tempo que é sagrado para a minha família e dedico meus domingos para almoçar e bater um papo com minha filha e meus netos. Só um assunto muito urgente me tira de casa aos domingos", afirmou Roseana, ao recordar das negociações para a votação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) no Senado, no fim do ano passado.

Já na época de campanha eleitoral, não tem jeito: a ausência é quase total. Mas como a família toda participa, a compreensão é maior. "Levo minha neta aos comícios desde os 4 anos --hoje ela tem 9. Isso ajuda a entender qual é o meu trabalho e porquê não estou em casa à noite", ressalta.

Mas independente do cargo que a mulher pretenda ocupar na política, Roseana acredita que elas têm capacidade de administrar e dar opiniões onde quer que esteja. "No mundo inteiro a mulher já está preparada para o poder. Do século passado prá cá, a mulher está começando a pôr a cara para bater", disse.

Comentários dos leitores
Afonso Ueno (24) 11/10/2008 21h25
Afonso Ueno (24) 11/10/2008 21h25
Em 2010, LULA Senador.E FHC,para Deputado.São Paulo precisa deles. sem opinião
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Rui Ruz Caputi Caputi (894) 10/10/2008 21h37
Rui Ruz Caputi Caputi (894) 10/10/2008 21h37
Aqui em Sampa já estamos perdendo toda a graça de discutir a eleição. O Kassab leva essa, a Marta terá que aguardar mais 4 longos anos. A dúvida nossa agora é de quanto vai ser o placar. Eu penso que o Kassab deverá passar os 60%.

Já no Rio o Gabeira da dando um show de bola. A Marina Silva sabe o que é bom para o Brasil. O Niemayer também. Agora só falta o povo!
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Antonio Fouto Dias (1722) 10/10/2008 21h33
Antonio Fouto Dias (1722) 10/10/2008 21h33
O Presidente Lula apoiar Eduardo Paes é realmente estranho, apesar de que em polítca pelo visto vale tudo para se tentar evitar uma eventual vitória de quem não se deseja no poder.
Em São Paulo não é diferente, tanto que para lá estáo se dirigindo ministros que são do Rio Grande do Sul e que nada tem a ver com a municipalidade paulistana.
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