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Brasil
26/02/2008 - 10h37

Ministros negociam com oposição aprovação da reforma tributária

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RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

Os ministros José Múcio Monteiro (Relações Institucionais) e Guido Mantega (Fazenda) se reúnem nesta terça-feira com representantes da oposição para negociar a aprovação da reforma tributária, que será enviada pelo governo federal ao Congresso na quinta-feira.

Participam do encontro, além dos dois ministros, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), a líder do PSOL na Câmara, Luciana Genro (RS), o presidente do DEM, Rodrigo Maia (RJ), os líderes do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), e na Câmara, Antônio Carlos Magalhães Neto (BA), a líder do governo no Congresso, Roseana Sarney (PMDB-MA), o presidente nacional do PPS, Roberto Freire, o líder do PPS na Câmara, Fernando Coruja (SC), os líderes do PSDB na Câmara, José Aníbal (SP), e no Senado, Arthur Virgílio (AM), o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), e o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE).

Múcio afirmou que o governo está disposto a discutir e ouvir opiniões. "Vamos expor a proposta para a oposição porque entendemos que a oposição precisa tomar conhecimento dela antes de chegar ao Congresso", disse ele ao chegar para a reunião, no Ministério da Fazenda. "Vamos dialogar, ouvir opiniões, discutir e fazer as críticas necessárias."

No entanto, Virgílio demonstrou desconfiança sobre a disposição do governo em negociar com a oposição. "Eu não acredito nesta reforma. Para mim, o governo quer desviar as atenções da CPI."

Já os outros oposicionistas optaram por um discurso mais brando. Rodrigo Maia avisou que acredita ser impossível votar a reforma tributária de forma integral. "Se não votar fatiada, não vota nada. Todos têm que ter o compromisso pela reforma."

Jucá negou que o impasse envolvendo o comando da CPI mista dos Cartões Corporativos vá contaminar as articulações em torno da reforma tributária. "Acredito que a reforma tributária é muita maior que qualquer clima. Uma questão tão pequena não pode contaminar a reforma."

Desoneração

Múcio negou que o governo já tenha decidido pela redução da contribuição patronal ao INSS --de 20% para 14%--, em seis anos, com queda de um ponto percentual por ano.

Ontem, as centrais sindicais exigiram uma garantia para o financiamento da seguridade social e foram contra a proposta.

Segundo o ministro, o item está sendo negociado e a última palavra será dos técnicos. "A última palavra é dos técnicos do Ministério da Fazenda, que elaboraram a proposta. A idéia é atender aos reclames de que o sistema precisa de modificação", afirmou. "Na realidade, não está certo [que esse item será retirado da proposta]. Ontem, houve sugestões das confederações."

Múcio destacou que eventuais mudanças serão negociadas no Congresso.

 

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