PMDB cede presidência da CPI dos Cartões para PSDB e evita duas investigações
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O PMDB recuou e cedeu a presidência da CPI mista (com deputados e senadores) dos Cartões Corporativos para o PSDB. Com isso, a base governista tenta impedir a instalação de duas comissões --uma mista e outra só no Senado-- para investigar o assunto. É que a oposição ameaçava instalar uma CPI só no Senado --onde o governo não tem maioria-- se não conseguisse a presidência ou relatoria da comissão mista.
"O objetivo foi harmonizar o clima de trabalhos no Senado. O entendimento em política é fundamental", disse o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).
Segundo ele, a decisão de ceder a presidência da CPI para o PSDB foi tomada pelos líderes governistas e pela bancada do PMDB, que já havia indicado Neuto de Conto (SC) para o cargo. Jucá se reuniu com o ministro José Múcio (Relações Institucionais) para obter o aval do Planalto para selar o acordo.
Agora, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), deve indicar um nome para presidir a comissão. A expectativa é a de que ele indique um nome considerado moderado.
Reunião
O entendimento foi firmado após terminar sem acordo uma reunião da bancada do PMDB para discutir a possibilidade de ceder a presidência da CPI para a oposição.
A Folha Online apurou que, na reunião da bancada, os peemedebistas se mostraram contrários a ceder a presidência da CPI ao DEM ou PSDB. Conto, indicado pelo partido para presidir a CPI mista, chegou a afirmar que só recuaria do convite caso a oposição insistisse em instalar outra comissão apenas no Senado para investigar os gastos com cartões corporativos.
O líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO), chegou a dizer que o PMDB tem autonomia para conduzir as investigações de forma isenta --uma vez o partido integra a base aliada do governo federal, mas também apoiou o governo durante a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
"A dificuldade está na oposição ter exigido a presidência da CPI. O impasse chegou aí. A intransigência não está sendo do PMDB, mas da oposição", criticou o líder.
Pressionado pela oposição, o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), fará a leitura do requerimento de instalação da CPI dos cartões do Senado esta tarde se não houver acordo com o governo para ceder a presidência da comissão mista ao DEM ou PSDB.
Jarbas
Raupp considerou "infeliz" o lançamento do nome do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), pela oposição, para presidir a CPI mista dos cartões. "Se for para manter um nome do PMDB, será do senador Neuto de Conto, que já aceitou o convite. O PMDB não vai participar de um circo montado aqui no Congresso", afirmou.
A Folha Online apurou que Conto ficou irritado com o apoio de senadores da bancada ao nome de Jarbas, já que a idéia foi lançada por partidos da oposição. Conto ficou irritado, em especial, com a declaração do presidente do Senado de que Jarbas tinha "todas as condições" para conduzir os trabalhos da CPI.
O senador Almeida Lima (PMDB-SE) criticou o lançamento de Jarbas na disputa, além de afirmar que o PMDB não deve ceder a prazos impostos pela oposição para definir o comando da CPI. "O PMDB não aceita ultimato do senador Arthur Virgílio. Ele não pode se imiscuir em questão nenhuma do PMDB. Deve se submeter à significância dele no PSDB. No PMDB, ele é insignificante", disse Lima.
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