Oposição diz que críticas de Lula ao Judiciário revelam estilo ditatorial do presidente
RENATA GIRALDI
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
Parlamentares de oposição e da base aliada reagiram nesta sexta-feira às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que criticou indiretamente o ministro do STF ( Supremo Tribunal Federal) Marco Aurélio Mello, que também é presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Para a oposição, Lula revelou seu "estilo ditatorial". Os parlamentares da base governista defenderam o programa Territórios da Cidadania, que deu origem ao embate entre Lula e o presidente do TSE, Marco Aurélio Mello.
As críticas de Lula foram geradas porque o ministro se manifestou sobre o possível caráter eleitoreiro do programa "Territórios da Cidadania", lançado na última segunda-feira por Lula e questionado pela oposição.
O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), condenou a reação de Lula, que criticou o fato de o DEM e o PSDB terem ingressado com uma Adin (ação direta de inconstitucionalidade) no STF contra o programa "Territórios da Cidadania".
Pela previsão do programa, serão investidos R$ 11,3 bilhões em 958 municípios de todo país ao longo deste ano --embora ocorram eleições municipais em outubro.
"Isso que ele [Lula] criticou é a última crítica que ele poderia fazer, poderia ter feito outras críticas mais legítimas, essa de recorrer ao Judiciário, o Congresso tem legitimidade para recorrer sempre que se sentir atingido", afirmou Garibaldi.
Em relação à divergência de Lula com o ministro, o peemedebista disse que "esse problema é entre ele [Lula] e o presidente Marco Aurélio Mello".
O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), criticou a reação de Lula atribuindo ao estilo de personalidade dele. "O presidente revelou o estilo ditatorial dele. O ministro Marco Aurélio Mello está fazendo o trabalho dele", afirmou
Porém, o líder do PT na Câmara, Maurício Rands (PE), saiu em defesa de Lula. Segundo ele, o programa não é eleitoreiro, mas necessário. "É inadmissível que alguém possa se colocar contra o programa. Não é eleitoreiro, pois os programas são decididos com antecedência e neste caso atinge áreas que precisam de política social", disse o petista.
Críticas
Em cerimônia realizada ontem em Aracaju (SE), Lula criticou a posição de Marco Aurélio, mesmo sem citar o nome do ministro. "Seria tão bom se o poder Judiciário metesse o nariz apenas nas coisas deles, o Legislativo apenas nas coisas deles, e o Executivo apenas nas coisas deles. Nós iríamos criar a harmonia estabelecida na Constituição", disse.
Na mesma solenidade, o presidente levantou mais dúvidas sobre a manifestação do ministro. "Vocês, deputados, têm imunidade, e podem perguntar se ele quer ser o ministro da Suprema Corte ou um político. Se quer ser político, que renuncie ao cargo", afirmou.
"O governo também não se mete com o poder Judiciário. Se cada um ficar no seu galho, o Brasil tem chance de ir em frente. Se cada um der palpite na vida do outro, a gente pode conturbar a tranqüilidade da sociedade", reiterou Lula.
Recentemente, Marco Aurélio criticou o lançamento de programas sociais em ano eleitoral. Nesta sexta-feira, o ministro, em entrevista à rádio CBN, disse estar "perplexo" com a agressividade do presidente da República.
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